Com 100% das urnas apuradas, Castillo tem maioria com 50,1% dos votos no Peru

Justiça peruana ainda não declarou o vencedor do pleito, com acusações de fraude por parte da candidata Keiko Fujimori

Guilherme Venaglia e Gregory Prudenciano, da CNN, em São Paulo

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 A apuração das eleições presidenciais no Peru terminou. Com 100% das urnas apuradas e contabilizadas, o candidato da esquerda Pedro Castillo, do partido Peru Livre, obteve a maioria dos votos, superando por uma margem estreita a adversária, a postulante da direita Keiko Fujimori.

Até o momento, no entanto, a Justiça peruana ainda não declarou a eleição de Castillo como o próximo presidente do país. Há questionamentos de fraude por parte de Fujimori e dos seus apoiadores e o pleito não está encerrado.

De acordo com os números oficiais de momento, Pedro Castillo recebeu o equivalente a 50,12% dos votos válidos contra 49,87% de Keiko Fujimori. A diferença entre os dois candidatos é de apenas 44.058 votos.

Eleição de 2021

Realizadas no dia 6 de junho, as eleições presidenciais do Peru aconteceram sem maiores incidentes. Ainda assim, a contagem dos votos e a validação das urnas se arrastou por dias, em meio a trocas de acusações entre Keiko Fujimori e Pedro Castillo. 

O Fuerza Popular, partido de Keiko, contestou o resultado em seções eleitorais nas quais a candidata da direita não recebeu nenhum voto. Por outro lado, partidários de Castillo afirmam a validade dos votos.

Se confirmada pelo Júri Nacional de Eleições – equivalente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) -, a eleição de Castillo representará a terceira derrota de Keiko Fujimori, que tenta levar o movimento político inaugurado pelo seu pai, Alberto Fujimori, de volta ao poder. No poder entre 1990 e 2000, o pai de Keiko governou de forma ditatorial a partir de 1992, quando fechou o Congresso. 

O candidato à presidência do Peru, Pedro Castillo
O candidato à presidência do Peru, Pedro Castillo
Foto: Sebastian Castañeda/Getty Images

Para impedir a terceira derrota no segundo turno, Keiko moderou seu discurso e tratou de ampliar sua aliança política. Em parte, funcionou: figura de destaque no Peru e representante mundialmente conhecido do liberalismo, o escritor Mario Vargas Llosa, vencedor de um Nobel de Literatura e crítico histórico do fujimorismo acabou apoiando a candidatura de Keiko, cujo pai competiu ele pela presidência nos anos 1990. 

Em sua estratégia eleitoral, Keiko tentou fixar em Castillo os governos da Venezuela e de Cuba, aliados de Vladimir Cerrón, presidente do partido Perú Livre, pelo qual Castillo concorreu. 

De origem indígena, Pedro Castillo focou sua campanha nas zonas rurais do país e defendeu uma plataforma econômica em grande parte avessa ao liberalismo defendido pelos últimos presidentes do Peru. 

Embora estejam em lados opostos quanto à condução da economia, tanto Keiko Fujimori quanto Pedro Castillo são considerados socialmente conservadores. Ambos se dizem defensores da “família tradicional”, em oposição à famílias homoafetivas, e são contrários da legalização da maconha e do aborto no Peru. 

Situação do Peru

Quem sair vencedor da disputa eleitoral herdará um país muito afetado pela pandemia da Covid-19. A taxa de mortes por milhão de habitantes no Peru por conta da doença é a mais alta do mundo, com 5.723, mais que o dobro da taxa do Brasil, que é de 2.293 mortes por milhão, considerando os números compilados pelo site Our World in Data, ligado à Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Em 2020, a pandemia levou o Produto Interno Bruto (PIB) do Peru a um recuo de 11,1%, segundo cálculos do Banco Mundial. 

Politicamente, o país latino-americano também sofre as consequências de sucessivos escândalos de corrupção de seus ex-presidentes. Todos os eleitos desde o fim do regime militar, em 1980, enfrentaram processos judiciais, incluindo Alberto Fujimori, que também foi condenado por violações de direitos humanos. 

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