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    Conselho de Segurança da ONU exige que Houthis parem ataques no Mar Vermelho

    Rebeldes ameaçam rede de transportes marítimos; EUA montaram força-tarefa para defender navios

    Imagem congelada de um vídeo mostra a tomada do Galaxy Leader Cargo pelos combatentes Houthi do Iêmen na costa do Mar Vermelho, perto de Hudaydah, em novembro
    Imagem congelada de um vídeo mostra a tomada do Galaxy Leader Cargo pelos combatentes Houthi do Iêmen na costa do Mar Vermelho, perto de Hudaydah, em novembro Houthi Movement

    Jonathan LandayArshad Mohammedda Reuters

    O Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução nesta quarta-feira (10) exigindo que os houthis do Iêmen encerrem imediatamente os ataques a navios no Mar Vermelho.

    O órgão também advertiu contra a escalada das tensões, ao mesmo tempo que endossou implicitamente uma força-tarefa liderada pelos Estados Unidos que tem defendido navios.

    A resolução também diz aos Houthis para libertarem o Galaxy Leader, um transportador de veículos operado por japoneses ligado a um empresário israelense. O navio foi capturado em 19 de novembro, com tripulação de 25 pessoas.

    Onze membros do conselho votaram a favor da resolução, e quatro, incluindo a Rússia e a China, que têm poder de veto, se abstiveram. Nenhum votou contra.

    A principal disposição da resolução, patrocinada pelos Estados Unidos e pelo Japão, referia o direito dos Estados-membros da ONU, de acordo com o Direito Internacional, “de defender os seus navios de ataques, incluindo aqueles que prejudicam os direitos e liberdades de navegação”.

    Isso equivale a apoio à Operação Prosperity Guardian, uma força-tarefa naval multinacional liderada pelos EUA que tem defendido navios comerciais no Mar Vermelho e no Golfo de Aden contra ataques de mísseis e drones Houthi.

    “A ameaça aos direitos e liberdades de navegação no Mar Vermelho é um desafio global que necessita de uma resposta global”, afirmou a embaixadora dos EUA, Linda Thomas-Greenfield, em argumentos pedindo a aprovação do texto.

    Os Houthis, um grupo alinhado com o Irã que tomou grande parte do Iêmen em uma guerra civil, prometeram atacar navios ligados a Israel ou com destino a portos israelenses para mostrar apoio ao Hamas. No entanto, muitos dos navios atacados não tinham ligações com Israel.

    Os EUA acusam o Irã de fornecer apoio aos ataques Houthi, incluindo mísseis avançados e drones, em violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU. Teerã nega a acusação.

    Houthis dizem que resolução é “jogo político”

    O porta-voz Houthi no Iêmen, Mohammed Abdul Salam, disse que a resolução da ONU é um “jogo político” e que eram os EUA quem violava o direito internacional.

    O conselho da ONU rejeitou alterações propostas pela Rússia que teriam eliminado o apoio implícito à força-tarefa liderada pelos Estados Unidos e incluído a guerra na Faixa de Gaza entre as “causas profundas” dos ataques Houthi.

    O embaixador russo, Vassily Nebenzia, questionou a legitimidade da força-tarefa e disse que a resolução era “uma bênção aberta para ela”.

    Os ataques Houthi perturbaram o comércio marítimo, fazendo com que algumas companhias desviassem navios do Mar Vermelho para rotas mais longas, ameaçando aumentar os preços da energia e dos alimentos.

    Washington afirmou que navios de guerra dos EUA e da Grã-Bretanha abateram 21 drones e mísseis disparados pelos Houthis na terça-feira (9) nas rotas marítimas do sul do Mar Vermelho, no que Londres classificou como o maior ataque desse tipo na área.

    O Comando Central dos EUA disse que houve 26 ataques Houthi a navios desde que os rebeldes tomaram o Galaxy Leader.