Dioceses católicas da Espanha vão coletar acusações de abuso após reunião com Papa

Jornal El Pais publicou em dezembro os resultados de uma investigação de três anos, que revelou ter descoberto possíveis abusos de 251 padres

Papa Franciso durante missa no Dia da Paz Mundial
Papa Franciso durante missa no Dia da Paz Mundial 01/01/2022REUTERS/Guglielmo Mangiapane

Inti Landauroda Reuters

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A Igreja Católica da Espanha deve criar comissões locais para ouvir reclamações de vítimas de abuso depois de conversar com o Papa Francisco, nesta sexta-feira (14), sobre alegações de mais de oito décadas detalhadas em um jornal espanhol.

O El Pais publicou em dezembro os resultados de uma investigação de três anos, que revelou ter descoberto possíveis abusos de 251 padres e alguns membros de instituições religiosas contra pelo menos 1.237 vítimas entre 1943 e 2018.

Ele disse que seu correspondente entregou um dossiê de 385 páginas ao Papa em 2 de dezembro, enquanto a comitiva papal e os jornalistas estavam voando de Roma para Chipre.

O cardeal Juan José Omella, presidente da Conferência Episcopal da Espanha, discutiu questões de abuso sexual com ele no Vaticano e disse que cada diocese criaria uma comissão para receber acusações e depois investigar.

Eles “reunirão reclamações, apoiarão as pessoas que se sentem prejudicadas e impedirão que essas coisas aconteçam novamente”, disse Omella em entrevista coletiva após a reunião.

Os escândalos de abuso sexual na Igreja Católica global chegaram às manchetes pela primeira vez em 2002, quando o jornal americano Boston Globe escreveu uma série de artigos expondo o abuso de menores por clérigos e uma cultura generalizada de ocultação dentro da Igreja.

Em junho passado, o Papa disse que a crise de abuso sexual na Igreja Católica era uma “catástrofe” mundial. Desde sua eleição em 2013, ele tomou uma série de medidas destinadas a acabar com o abuso sexual de menores por clérigos.

A igreja espanhola rejeitou as sugestões de que criasse um órgão de investigação independente, como foi feito na França e recentemente anunciado em Portugal.

Omella disse que é melhor que as vítimas sejam tratadas pelas dioceses locais e que as comissões “esclareçam e realizem todos os processos necessários, conforme exigido pela Santa Sé e tribunais civis.

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