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    Em descoberta rara, pesquisadores acham berçário de polvo a cerca de 3 km de profundidade

    Afloramento rochoso na Costa Rica se tornou lar para centenas de polvos

    Berçário de polvos no Afloramento Dorado
    Berçário de polvos no Afloramento Dorado Schmidt Ocean Institute

    Katie Huntda CNN

    Em um afloramento rochoso cerca de 3 km abaixo da superfície do Oceano Pacífico, na costa da Costa Rica, pesquisadores documentaram um berçário ativo de polvos. Pode ser o terceiro exemplo conhecido de um local de incubação onde um grande número de criaturas se agrupa.

    Durante uma expedição de três semanas em junho, cientistas a bordo do navio de pesquisa Falkor, do Schmidt Ocean Institute, viram centenas de polvos e observaram seus bebês nascerem no Afloramento Dorado, que tem o tamanho de um campo de futebol.

    Localizada a 2.800 metros de profundidade no curso inferior da chamada zona crepuscular, essa foi uma das seis montanhas subaquáticas pesquisadas pelo robô subaquático da embarcação, o ROV SuBastian.

    “Vimos que alguns deles estavam prontos para eclodir – como se o polvo tivesse acabado de sair. Foi um momento muito emocionante porque não esperávamos”, disse a geomicrobiologista Beth Orcutt, pesquisadora sênior do Bigelow Laboratory for Ocean Sciences, com sede no Maine, que liderou a expedição junto com Jorge Cortés, da Universidade da Costa Rica e pesquisador do Centro de Pesquisa em Ciências Marinhas e Limnologia da universidade.

    A expedição também capturou imagens espetaculares de outras formas de vida oceânica, incluindo peixes-tripé, arraias e jardins de corais.

    Mistério resolvido?

    A descoberta de uma comunidade ativa de polvos mães e bebês resolveu um mistério que deixou os cientistas perplexos.

    Um veículo submarino avistou pela primeira vez um grande grupo de polvos no Afloramento Dorado em 2013 durante uma expedição para entender a geoquímica da área.

    Foi a primeira vez que polvos, criaturas tipicamente solitárias que gostam de águas mais frias, foram vistos agrupados em tal número dessa maneira em uma fonte hidrotermal de baixa temperatura – uma abertura no fundo do mar por onde são liberados fluidos quentes e ricos em produtos químicos.

    Os cientistas observaram que os polvos pareciam estressados e não conseguiam ver nenhum embrião em desenvolvimento nos 186 ovos que contaram em imagens estáticas e vídeos. A equipe de pesquisa achou que as condições eram muito inóspitas para torná-lo um lugar para começar uma família.

    “Fiz parte da equipe que foi ao local (há 10 anos). Nós apenas fomos até aquele afloramento para procurar evidências de respiradouros de baixa temperatura e descobrimos que havia aqueles polvos, mas eles não pareciam estar chocando com sucesso”, ressaltou Orcutt.

    “Portanto, o objetivo era voltar a Dorado e descobrir o que estava acontecendo, e descobrimos que é um berçário ativo. Vimos bebês nascendo”, comemorou.

    Os pesquisadores também encontraram outro berçário de polvo menor em uma fonte hidrotermal de baixa temperatura em um monte submarino ainda sem nome.

    Possível nova espécie

    As descobertas aumentam a evidência de que algumas espécies de polvo do fundo do mar podem procurar fontes hidrotermais de baixa temperatura para chocar seus ovos.

    Os fluidos mais quentes podem fornecer uma vantagem para o desenvolvimento do ovo, mesmo que o oxigênio mais baixo dificulte a respiração. Os polvos são mães famosas pelo autossacrifício – depois de colocar uma ninhada de ovos, eles param de comer e definham, geralmente morrendo quando os ovos eclodem.

    “Não sabemos por que eles são atraídos para este lugar. Talvez eles apenas tropeçam nele, talvez o procurem, talvez pelo calor, talvez pela rocha nua, talvez por algum motivo além da nossa compreensão”, ponderou a especialista em polvos Janet Voight, curadora associada de zoologia de invertebrados no Field Museum de Chicago, que fazia parte da última expedição.

    Ela foi uma das três autoras de um artigo de 2018 analisando as filmagens iniciais feitas em 2013.

    Voight e seus co-autores especularam que uma população de polvos poderia estar em um habitat mais saudável nas proximidades e os polvos capturados nas fotos e vídeos eram um grupo excedente condenado que inadvertidamente escolheu se estabelecer no “bairro” errado.

    “Assistindo à luz do ROV revelar as centenas de animais, fiquei emocionada!!”, contou ela por e-mail.

    Os cientistas acreditam que este polvo é potencialmente uma nova espécie de Muusoctopus, um gênero de polvo de pequeno a médio porte. Não se sabe por quanto tempo os polvos do fundo do mar chocam seus ovos naquele local, observou Orcutt.

    O principal objetivo da expedição de junho foi entender melhor a hidrogeologia, microbiologia, ecologia e geoquímica do Afloramento Dorado e seus polvos, acrescentou. A equipe coletou núcleos de sedimentos e microorganismos para análise em laboratório.

    Os cientistas também planejam retornar ao local em dezembro para coletar ovos de polvo de dispositivos que eles depositaram recentemente para descobrir por que as criaturas gostam de chocar lá.

    O outro berçário de polvos conhecido está a cerca de 3.200 metros abaixo da superfície do oceano no Davidson Seamount, na costa de Monterey, Califórnia, onde milhares de polvos se agrupam em torno de um respiradouro, e um berçário menor que foi encontrado em um poço de 2.600 metros – afloramento de basalto profundo (2,5 km de profundidade) no Oceano Pacífico Norte conhecido como Baby Bare, disse Voight.

    Orcutt acrescentou, no entanto, que não estava claro se os polvos estavam se reproduzindo ativamente lá.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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