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    Entenda por que a Otan não impôs zona de exclusão aérea na Ucrânia

    Medida pode ser entendida pela Rússia como ato que escalaria conflito no leste europeu; aliança é um grupo de 30 nações norte-americanas e europeias

    Análise por Luke McGeeda CNN

    O ataque russo a uma base militar ucraniana a menos de 20 quilômetros da fronteira com a Polônia neste domingo (13), integrante da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), aumentou a tensão entre a organização e a Rússia.

    Ao mesmo tempo, o caso intensificou os pedidos para que a Otan considera estabelecer uma zona de exclusão aérea na Ucrânia. Após o ataque, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Ryabkov, voltou a pedir para que a organização estabelecesse a zona.

    Entretanto, os 30 países membros da Otan já trataram do tema quando se reuniram em Bruxelas na sexta-feira (4) para discutir os próximos passos da aliança na Ucrânia. Os esforços diplomáticos não conseguiram acabar com o caos no país, dias depois de Vladimir Putin ordenar a invasão das tropas russas.

    Parece improvável que a situação dentro da Ucrânia melhore tão cedo. Um comboio russo de cerca de 64 quilômetros com destino à capital, Kiev, está parado há dias enquanto os combatentes ucranianos ocupam áreas-chave, ao mesmo tempo que as tropas russas reivindicam outras áreas estratégicas importantes e ocupam a usina nuclear de Zaporizhzhia.

    Apesar da situação sombria no local, a Otan não está disposta a se envolver diretamente no conflito, incluindo a criação de uma zona de exclusão aérea, além de apoiar a resistência da Ucrânia a uma invasão que está matando civis inocentes.

    O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, disse na sexta-feira que uma zona de exclusão aérea sobre a Ucrânia não é uma opção considerada pela aliança. “Concordamos que não devemos ter aviões da Otan operando no espaço aéreo ucraniano ou tropas da Otan em território ucraniano”, disse ele.

    O que é a Otan?

    A Organização do Tratado do Atlântico Norte é um grupo de 30 nações norte-americanas e europeias. Segundo a Otan, seu objetivo “é garantir a liberdade e a segurança de seus membros por meios políticos e militares”.

    A aliança foi criada em 1949 em resposta ao início da Guerra Fria. Seu objetivo original era proteger o Ocidente da ameaça representada pela União Soviética. Desde o fim da Guerra Fria, muitas ex-nações soviéticas aderiram à Otan, para grande aborrecimento de Putin.

    O que significa ser membro da Otan?

    Fazer parte da Otan significa ter um papel ativo nas discussões diárias sobre questões de segurança e defesa que afetam a aliança. Isso pode variar desde medidas estratégicas para combater a guerra cibernética até a movimentação de tropas dentro das fronteiras da Otan para proteger outros membros, como aconteceu durante esta crise.

    Os membros devem gastar 2% do PIB nacional em segurança por ano, embora poucos membros tenham feito isso nos últimos anos.

    O aspecto mais conhecido da aliança é o Artigo 5 do tratado, que, se invocado, significa que “um ataque contra um Aliado é considerado um ataque contra todos os Aliados”.

    O Artigo 5 foi invocado apenas uma vez, em resposta aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

    No entanto, a aliança pode tomar medidas coletivas de defesa sem invocar o Artigo 5 e salienta que isso foi feito no caso do ataque russo à Ucrânia.

    Logos da Otan na sede da aliança militar em Bruxelas / 19/04/2018 REUTERS/Yves Herman

    O que é uma zona de exclusão aérea?

    Uma zona de exclusão aérea é uma área onde certas aeronaves não podem voar por vários motivos. No contexto de um conflito como o da Ucrânia, isso provavelmente significaria uma zona na qual os aviões russos não poderiam voar, para impedir que eles realizassem ataques aéreos contra a Ucrânia.

    A Otan impôs zonas de exclusão aérea em países não membros antes, incluindo Bósnia e Líbia. No entanto, é sempre um movimento controverso, porque isso significa ficar semienvolvido em um conflito sem comprometer totalmente as forças terrestres.

    O que aconteceria se a Otan impusesse uma zona de exclusão aérea?

    O problema com as zonas militares de exclusão aérea é que elas precisam ser impostas pelo poder militar. Se uma aeronave russa voasse para uma zona de exclusão aérea da Otan, as forças da Otan teriam que agir contra essa aeronave. Essas medidas podem incluir atirar no avião em voo. Isso seria, aos olhos da Rússia, um ato de guerra da Otan e provavelmente escalaria o conflito.

    Por que a Otan não impôs uma zona de exclusão aérea?

    Nem a Ucrânia nem a Rússia são membros da Otan. Putin vê claramente a Otan como uma ameaça direta à sua autoridade e recentemente criticou a expansão da aliança em direção à Rússia, usando-a como justificativa para sua invasão da Ucrânia.

    Secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, durante entrevista coletiva em Bruxelas / 07/02/2022 REUTERS/Johanna Geron

    Como resultado, a Otan está extremamente relutante em se envolver diretamente no conflito da Ucrânia com uma potência nuclear rival. Embora apoie a resistência da Ucrânia e reconheça as ações de Putin como uma invasão de uma nação soberana, a aliança simplesmente não está preparada para fazer qualquer coisa que possa ser interpretada como um ato direto de guerra à Rússia e arriscar uma escalada que poderia levar ao uso de armas nucleares.

    Por que a Rússia se sente ameaçada pela Otan?

    Putin acredita há muito tempo que a Rússia fez um mau negócio após a dissolução da União Soviética – algo que ele chamou de “a maior catástrofe geopolítica do século 20”.

    Ele reclamou que a Otan expandiu, ao longo do tempo, suas fronteiras ao admitir países do Leste Europeu que já fizeram parte da União Soviética – o que significa que a Rússia agora compartilha uma fronteira terrestre com a maior aliança militar do mundo, reduzindo assim seu poder geopolítico no que já foi a esfera de influência de Moscou.

    Ainda em fevereiro, ele exigia que a Otan voltasse às fronteiras de 1997, período antes das nações bálticas Letônia, Lituânia e Estônia, sendo que as duas últimas fazem fronteira com a Rússia, se juntarem à aliança.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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