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    Entidade alerta para risco de “catástrofe” envolvendo refugiados do Sudão

    País africano atravessa uma guerra civil entre grupo paramilitar e as Forças Armadas oficiais

    Acampamento de refugiados de Ourang, no Chade.
    Acampamento de refugiados de Ourang, no Chade. Divulgação/MSF/Renaud Masbeye

    Salma Freuada CNN

    O diretor-geral do Médicos Sem Fronteiras (MSF), Stephen Cornish, alertou nesta sexta-feira (22) que a situação dos refugiados sudaneses no Chade está à beira de uma “catástrofe”. Segundo a organização, cerca de meio milhão de refugiados sudaneses dependem de assistência humanitária na região leste do país, fronteiriço ao Sudão.

    Cornish observou que, apesar de sua experiência em operações humanitárias globais, o cenário de emergência no Chade o chocou de maneira profunda.

    “Muitas pessoas que buscam refúgio no deserto estão dependendo da ajuda humanitária, que é inadequada e esporádica. Isso não pode continuar”, destacou o diretor, que ainda disse que, apesar dos esforços das organizações humanitárias e da receptividade demonstrada pelas comunidades anfitriãs e pelo governo do Chade, a situação está “próxima de uma catástrofe”.

    O acesso inadequado a alimentos, água e abrigo é uma parte dos desafios enfrentados pelos refugiados, ressalta o diretor. As preocupações com a manutenção de condições de higiene adequada são outro fator crítico.

    “As pessoas não têm água suficiente para tomar banho, limpar e cozinhar. Elas também não têm galões adequados para coletar e armazenar água adequadamente”, advertiu. Desnutrição, diarreia e malária são outros problemas que um grande número de refugiados estão expostos, segundo ele.

    O representante do Médicos Sem Fronteiras pede por ajuda de países doadores às organizações locais para se garantir o atendimento das “necessidades emergenciais”.

    Violência

    O conflito entre as Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês), grupo paramilitar proeminente no Sudão, e as Forças Armadas Sudanesas (SAF), o exército regular, levou o Estado a uma crise humanitária e de direitos humanos.

    No começo de dezembro, o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, disse que membros das Forças de Apoio Rápido e suas milícias aliadas no Sudão cometeram crimes contra a humanidade e limpeza étnica. Blinken também disse que membros da RSF e das Forças Armadas Sudanesas cometeram crimes de guerra.

    “Os civis suportaram o peso deste conflito desnecessário. Os detidos foram vítimas de abusos e alguns foram mortos nos locais de detenção da SAF e da RSF. Em todo o Sudão, a RSF e as milícias aliadas aterrorizaram mulheres e meninas por meio da violência sexual, atacando-as nas suas casas, raptando-as nas ruas ou tendo como alvo aqueles que tentavam fugir para um local seguro através da fronteira”, disse Blinken.

    O diretor-geral do MSF lembrou dos grupos mais vulneráveis. “As pessoas que sofrem com essa crise são predominantemente mulheres e crianças. Muitas delas também são sobreviventes da violência em grande escala. Seus testemunhos relatam horrores indescritíveis – membros da família mortos, mulheres submetidas a atos hediondos de sequestro e violência sexual e casas reduzidas a cinzas. Sua única aspiração é encontrar um refúgio seguro no Chade e poder viver em condições decentes e dignas”, disse.

    (Com informações da CNN Internacional)