Forças Armadas dos EUA reconhecem que tomaram medidas ofensivas contra hackers

Nova declaração da unidade de "cibercomando" do país sinaliza que militares americanos estão mais abertamente dispostos a hackear criminosos para interromper ciberataques

EUA sofreram com ataques cibernéticos no primeiro semestre. Caso do oleoduto da Colonial Pipeline foi principal caso.
EUA sofreram com ataques cibernéticos no primeiro semestre. Caso do oleoduto da Colonial Pipeline foi principal caso. Foto: Divulgação/Pixabay

Sean LyngaasZachary Cohenda CNN

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O “Cyber ​​Command” (Comando Cibernético, em português), a unidade de hackers das Forças Armadas dos EUA, tomou medidas ofensivas para interromper grupos criminosos que lançaram ataques cibernéticos contra empresas dos EUA, confirmou um porta-voz da unidade à CNN neste domingo (5).

O porta-voz se recusou a especificar quais ações o Comando executou. Mas é um dos primeiros reconhecimentos inequívocos do Cyber ​​Command, desde o ataque de ransomware contra o oleoduto da Colonial Pipeline em maio, de que os militares americanos têm como alvo gangues de criminosos que mantêm os sistemas de computador de empresas americanas como reféns.

Novos comentários do general Paul Nakasone, atual chefe do Cyber Command e diretor da Agência de Segurança Nacional, reportados pelo New York Times no início do domingo, sinalizam que os militares dos Estados Unidos estão cada vez mais dispostos a hackear criminosos, e não apenas atores estatais que representam uma ameaça à infraestrutura dos EUA.

General Paul Nakasone durante Cúpula de Cibersegurança em Washington, em 2017. / Nathan Mitchell / Reprodução

Agências de segurança em todo o governo dos EUA aceleraram sua busca por grupos de ransomware depois que hackers levaram a Colonial Pipeline, uma grande transportadora de combustível dos EUA e uma outra grande empresa processadora de carne, a uma paralisação no início deste ano.

A CNN reportou em junho que o governo dos Estados Unidos havia tomado medidas ofensivas em resposta ao ransomware, incluindo comprometimento e vigilância de redes cibercriminosas, de acordo com fontes familiarizadas com a situação.

Nakasone disse no mês passado que o governo dos Estados Unidos havia “conduzido uma onda” contra os operadores de ransomware, inclusive tentando cortar as fontes de financiamento dos hackers.

Nakasone reiterou essa mensagem em uma entrevista ao New York Times neste fim de semana.

“Antes, durante e desde então, com uma série de elementos do nosso governo, agimos e impomos custos”, disse Nakasone ao jornal. “Essa é uma peça importante com a qual devemos estar sempre atentos.”

A contraofensiva do governo dos Estados Unidos contra grupos de ransomware, muitos dos quais sediados no Leste Europeu e na Rússia, também incluiu indiciar supostos extorsionários e sancionar uma bolsa de criptomoedas acusada de lavagem de dinheiro para hackers.

A Casa Branca tentou pressionar o governo russo a reprimir os cibercriminosos que operam em solo russo. Resta saber se isso vai acontecer – Moscou frequentemente faz vista grossa aos hackers que não têm como alvo as organizações russas, dizem analistas.

O presidente Joe Biden fará uma videochamada com o presidente russo, Vladimir Putin, nesta terça-feira (7). Os dois vão discutir a segurança cibernética, de acordo com a Casa Branca, seis meses depois de Biden cobrar Putin a tomar medidas contra os hackers durante uma reunião em Genebra.

* Matéria traduzida. Leia a original aqui.

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