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    Hackers chineses se preparam para “causar estragos no mundo real”, alerta FBI

    Eles teriam como alvo estações de tratamento de água, infraestrutura elétrica, oleodutos e gasodutos dos Estados Unidos

    Hacker | Fraude | Roubo de dados | Golpe
    Hacker | Fraude | Roubo de dados | Golpe Freepik

    Hannah RabinowitzSean Lyngaasda CNN

    O diretor do FBI — a agência nacional de investigações dos Estados Unidos –, Christopher Wray, alertou nesta quarta-feira (31) que os hackers chineses estão se preparando para “causar estragos e danos no mundo real” aos EUA.

    “Os hackers da China estão se posicionando na infraestrutura americana, se preparando para causar estragos e danos no mundo real aos cidadãos e comunidades americanas, se ou quando a China decidir que chegou a hora de atacar”, disse Wray ao Comitê Selecionado da Câmara sobre o Partido Comunista Chinês.

    Embora as autoridades cibernéticas tenham advertido anteriormente sobre as capacidades cibernéticas ofensivas da China, o alerta público de Wray sublinha o enorme nível de preocupação no topo do governo dos EUA sobre a ameaça que eles representam para infraestruturas críticas em todo o país.

    O chefe da Agência de Segurança Nacional dos EUA e outros funcionários de alto escalão também comentaram sobre a atividade cibernética chinesa.

    Os hackers apoiados pelo governo chinês, segundo Wray, têm como alvo, entre outras coisas, estações de tratamento de água, infraestrutura elétrica, oleodutos e gasodutos.

    Eles estão trabalhando “para encontrar e se preparar para destruir ou degradar a infraestrutura civil crítica que nos mantém seguros e prósperos. E sejamos claros: as ameaças cibernéticas à nossa infraestrutura crítica representam ameaças do mundo real à nossa segurança física”, destacou o diretor do FBI.

    O governo chinês negou acusações sobre hackeamento.

    Esforços para aliviar tensão entre os EUA e China

    A audiência na Câmara acontece ao mesmo tempo que há grande esforço das autoridades norte-americanas e chinesas para aliviar as tensões na relação entre as duas superpotências.

    Em reunião em novembro do ano passado, o presidente chinês, Xi Jinping, garantiu ao presidente dos EUA, Joe Biden, que a China não interferiria nas eleições de 2024, informou com exclusividade a CNN na terça-feira (30).

    Essa garantia foi reforçada pelo ministro das Relações Exteriores da China ao conselheiro de segurança nacional de Biden no fim de semana passado, disseram fontes à CNN. As autoridades dos EUA estarão observando de perto para ver se Xi cumpre a sua palavra.

    Questionado sobre essa garantia na audiência desta quarta, Wray disse: “A China prometeu muitas coisas ao longo dos anos, por isso acho que acreditarei [somente] quando acontecer”.

    O foco da sessão não foram as eleições nos EUA, mas a forma como os hackers chineses estão supostamente se infiltrando em redes informáticas em portos, centrais energéticas e outras infraestruturas importantes no país.

    “A verdade é que os ciberatores chineses tiraram partido de falhas muito básicas na nossa tecnologia. Facilitamos as coisas para eles”, ponderou Jen Easterly, que lidera a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos EUA, aos legisladores.

    “Infelizmente, a tecnologia que sustenta a nossa infraestrutura crítica é inerentemente insegura, porque há décadas os desenvolvedores de software não são responsabilizados por tecnologias defeituosas”, afirmou Easterly.

    “Isso levou a incentivos onde os recursos e a velocidade de lançamento no mercado foram priorizados em relação à segurança, deixando nossa nação vulnerável à invasão cibernética. Isso tem que parar”, complementou.

    O FBI e o Departamento de Justiça já enfatizaram o foco na prevenção de campanhas prejudiciais do governo chinês e de hackers.

    A CNN informou que, nos últimos meses, as autoridades federais usaram uma ordem judicial para permitir que o Departamento de Justiça remova códigos maliciosos ou proteja de outra forma centenas de dispositivos nos EUA que estão no centro da campanha de hackers chinesa visando ataques à infraestrutura americana.

    No entanto, acredita-se que os hackers estejam profundamente enraizados na infraestrutura dos Estados Unidos.

    A medida do Departamento de Justiça e do FBI faz parte de uma tentativa mais ampla, de todo o governo, de minimizar o impacto da ação de hackers chineses, que as autoridades dos EUA temem que possa impedir qualquer resposta militar americana no caso de uma invasão chinesa a Taiwan, informou a CNN.

    Acredita-se que os hackers estejam usando o acesso a alguns dos dispositivos para se aprofundar em infraestruturas críticas sensíveis, como portos e redes de transporte.

    Parte do problema que as autoridades americanas enfrentam é um simples jogo de números. Wray reiterou nesta quarta-feira que acredita que o número de agentes cibernéticos da China supera todos os agentes do FBI em ao menos 50 para 1.

    Além disso, o general Paul Nakasone, chefe da Agência de Segurança Nacional, ressaltou aos legisladores que expulsar os hackers das redes críticas dos EUA é uma preocupação constante.

    “Precisamos ter uma vigilância contínua. Esta não é uma ameaça periódica que vamos enfrentar. Isso é persistente”, disse Nakasone.

    Wray comentou que os esforços da China vão além da tecnologia, alertando que “eles visam as nossas liberdades, alcançando dentro das nossas fronteiras, através da América, para silenciar, coagir e ameaçar os nossos cidadãos e residentes”.

    *Evan Perez, da CNN, contribuiu para esta reportagem

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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