Irã chega a acordo com fiscalização nuclear global para inspeções

Inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) terão acessos para verificar atividade nuclear iraniana. Medida pode possibilitar volta de diálogo

Líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, durante reunião em Teerã
Líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, durante reunião em Teerã Foto: Khamenei/Divulgação/Reuters

Por Sharif Paget, da CNN

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A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) fechou um acordo com o Irã que dará a seus inspetores acesso contínuo para verificar e monitorar a atividade nuclear no país pelos próximos três meses, potencialmente preparando o terreno para Washington e Teerã darem o pontapé inicial em novas conversas sobre energia nuclear.

O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, disse no domingo que os dois lados chegaram a um “entendimento técnico” temporário após sua viagem ao Irã, que recentemente sinalizou planos para reduzir a cooperação com a agência nuclear global.

O Irã anunciou na semana passada que iria parar de implementar o protocolo adicional da AIEA, efetivamente limitando quais instalações os inspetores nucleares poderiam examinar e quando poderiam acessá-las, tornando mais difícil para os especialistas determinar se Teerã está tentando desenvolver armas nucleares.

 

O acordo provisório alcançado no domingo aliviaria o impacto da retirada do Irã do protocolo adicional, disse Grossi. “O que concordamos é algo que é viável, é útil para preencher essa lacuna que estamos tendo agora, salva a situação agora”, disse ele.

Embora o mesmo número de inspetores internacionais permaneça no Irã, Grossi disse, seu acesso às instalações nucleares será mais limitado e eles não terão mais permissão para realizar “inspeções instantâneas” de última hora.

“Esta não é uma substituição do que tínhamos. Esta é uma solução temporária que nos permite continuar a dar ao mundo garantias do que está acontecendo lá, na esperança de que possamos voltar a um quadro mais completo”, disse Grossi.

Os monitores da AIEA receberam amplos direitos de inspeção como parte do Plano de Ação Conjunta Global de Ação (JCPOA), um acordo histórico que pretendia limitar o programa nuclear do Irã e impedir o país de desenvolver armas nucleares em troca de sanções. O Irã há muito afirma que seu programa nuclear tem objetivos pacíficos, apesar do ceticismo da comunidade internacional.

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