Kremlin acusa navio de guerra britânico de ‘provocação inaceitável’

Segundo a Rússia, qualquer ação semelhante no futuro provocará uma dura resposta de Moscou; Reino Unido diz que navegava por águas ucranianas

O contratorpedeiro Defender da Marinha Real no porto de Odessa, na Ucrânia
O contratorpedeiro Defender da Marinha Real no porto de Odessa, na Ucrânia Foto: Yulii Zozulia/ Ukrinform/Barcroft Media via Getty Images (18.junho.2021)

Reuters

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O Kremlin acusou nesta quinta-feira (24) um navio de guerra britânico de encenar uma “provocação inaceitável” contra a Rússia após um incidente no Mar Negro. De acordo com o Kremlin, Moscou poderá responder duramente a qualquer ação semelhante no futuro.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que a Rússia está preocupada com as ações do navio de guerra britânico na costa da Criméia, anexada pela Rússia, e que espera que tais “provocações” não ocorram sistematicamente.

A Rússia convocou a embaixadora britânica em Moscou para uma repreensão diplomática formal depois que o navio de guerra invadiu o que o Kremlin diz serem suas águas territoriais, mas que o Reino Unido e a maioria do mundo dizem pertencer à Ucrânia.

Já o Reino Unido disse que a Rússia semeia imprecisões e contestou o relato russo dizendo que nenhum tiro de alerta foi disparado e que nenhuma bomba foi lançada na rota do contratorpedeiro Defender da Marinha Real.

O Ministério das Relações Exteriores russo convocou a embaixadora Deborah Bronnert para apresentar uma “démarche dura” – uma repreensão, no jargão diplomático –, e a porta-voz Maria Zakharova acusou Londres de contar “mentiras descaradas”.

“Acreditamos que foi uma provocação deliberada e premeditada”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, sobre o incidente, no qual Moscou disse ter disparado tiros de alerta e lançado bombas na rota da embarcação britânica.

“No caso de uma repetição de uma ação provocadora inaceitável – se estas ações forem longe demais, nenhuma opção pode ser descartada em termos de defender legalmente as fronteiras da Rússia”, disse Peskov aos repórteres.

O Mar Negro, que Moscou usa pra projetar seu poder no Mediterrâneo, é há séculos um ponto de tensão entre a Rússia e seus concorrentes, como Turquia, França, Reino Unido e Estados Unidos.

A Rússia ocupou e anexou a península da Crimeia da Ucrânia em 2014 e considera áreas ao redor de seu litoral como “águas russas”. Países ocidentais consideram a Crimeia como parte da Ucrânia e rejeitam as reivindicações russas aos mares no seu entorno.

O secretário britânico das Relações Exteriores, Dominic Raab, disse a jornalistas durante uma visita a Cingapura: “Nenhum tiro foi disparado contra o HMS Defender”.

“O navio da Marinha Real realizava uma passagem inocente por águas territoriais ucranianas. Estávamos fazendo-o de acordo com a lei internacional, e a caracterização russa é previsivelmente imprecisa.”

Durante a guerra da Geórgia de 2008, a Rússia se enfureceu com operações de navios de guerra norte-americanos no Mar Negro, e em abril os EUA cancelaram o envio de dois navios de guerra à área.

(Reportagem adicional de Joe Brock, em Cingapura, Dmitry Antonov e Tom Balmforth, em Moscou)

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