Língua indígena desaparece após seu último falante vivo morrer no Chile

Idioma Yamana, do povo Yagan, foi desenvolvido no extremo sul do Chile, próximo à Antártica

Cristina Calderon, falecida com 93 anos, era a última falante de idioma Yagan
Cristina Calderon, falecida com 93 anos, era a última falante de idioma Yagan REUTERS

Fabian Camberoda Reuters

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Uma linguagem indígena do extremo sul do Chile praticamente desapareceu após a morte de seu último falante vivo e guardião de sua cultura ancestral.

Cristina Calderon morreu na última quarta-feira (16), aos 93 anos. Ela tinha dominado a língua Yamana do povo Yagan. Após a morte de sua irmã, em 2003, ela se tornou a última pessoa do mundo que sabia falar. Ela trabalhou para salvar seu conhecimento ao criar um dicionário do idioma com traduções para o espanhol.

“Com ela, uma parte importante da memória cultura de nosso povo se foi”, disse Lidia Gonzales, filha de Calderon, no Twitter. Gonzales é uma das representantes que está escrevendo uma nova Constituição no Chile.

 

O dicionário, no entanto, significa que há esperança de preservar a língua de alguma forma, disse Gonzales.

“Embora com sua partida [de Calderon] se perca uma riqueza de conhecimento empírico especialmente valioso em termos linguísticos, a possibilidade de resgatar e sistematizar a língua ainda existe”, comentou.

Calderon morava em uma casa simples e ganhava a vida vendendo meias de malha na cidade chilena de Villa Ukika, cidade criada pelo povo Yagan nos arredores de Puerto Williams.

O grupo costumava viver nos arquipélagos próximos a Antártica, que hoje pertencem a Chile e Argentina.

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