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    Reunião liderada pela ONU com Talibã no Catar gera críticas

    Altos funcionários da organização e representantes de até 25 países se encontrarão em Doha, Catar, no próximo final de semana

    Membro do Taliban conversa com estudantes do lado de fora de universidade em Cabul
    Membro do Taliban conversa com estudantes do lado de fora de universidade em Cabul 26/02/2022REUTERS/Stringer/File Photo

    Michelle Nicholsda Reuters

    O governo Talibã do Afeganistão deverá enviar autoridades ao Catar no próximo fim de semana para uma reunião com altos funcionários da Organização das Nações Unidas (ONU) e representantes de até 25 países para um encontro de dois dias. O anúncio gerou críticas de grupos de direitos humanos por não incluírem mulheres afegãs.

    Esta será a terceira reunião do tipo liderada pela ONU em Doha, mas a primeira com a presença dos talibãs, que não são reconhecidos internacionalmente desde que tomaram o poder em agosto de 2021, quando as forças lideradas pelos Estados Unidos se retiraram do país após 20 anos de guerra.

    A ONU vem tentando encontrar uma abordagem internacional mais unificada para lidar com os talibãs, que têm reprimido os direitos das mulheres desde que regressaram ao poder.

    “Excluir as mulheres é correr o risco de legitimar os abusos do Talibã e provocar danos irreparáveis ​​à credibilidade da ONU como defensora dos direitos das mulheres e da participação significativa das mulheres”, disse Tirana Hassan, diretora-executiva da Human Rights Watch, sobre a terceira reunião em Doha.

    A chefe de assuntos políticos da ONU, Rosemary DiCarlo, a enviada especial da ONU para o Afeganistão, Roza Otunbayeva, e enviados de vários países devem se reunir separadamente com grupos da sociedade civil afegã após reuniões com o Talibã, disse a ONU.

    As reuniões em Doha fazem “parte de um processo e não é algo isolado”. Mulheres e sociedade civil continuam fazendo parte dele, disse o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, neste domingo.

    “Também visam encorajar as autoridades de fato a se envolverem com a comunidade internacional com uma abordagem coordenada e estruturada para o benefício do povo afegão”, disse Dujarric.

    “Os direitos humanos e os direitos das mulheres e meninas terão lugar de destaque em todas as discussões, certamente por parte da ONU”, completou.

    Desde que o Talibã voltou ao poder, a maioria das meninas foi impedida de frequentar o ensino médio e as mulheres, as universidades.

    Os talibãs também impediram que a maioria das funcionárias afegãs trabalhasse em agências de ajuda humanitária, fecharam salões de beleza, proibiram a entrada de mulheres em parques e restringiram as viagens de mulheres na ausência de um guardião masculino.

    O Talibã afirma que respeita os direitos de acordo com sua interpretação da lei islâmica.