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    Rússia pode ser forçada a posicionar mísseis nucleares intermediários na Europa

    Vice-ministro Sergei Ryabkov disse em entrevista que a Organização do Tratado do Atlântico Norte tem planos de fazer o mesmo contra o país russo

    Mísseis são disparados de testes militares russos
    Mísseis são disparados de testes militares russos Foto: Yuri SmityukTASS via Getty Images

    Maria KiselyovaAlexander MarrowMark Trevelyanda Reuters

    A Rússia e Ucrânia estão no centro de uma crise nas relações Leste-Oeste na Europa.

    De um lado, os ucranianos acusam os russos de reunirem milhares de soldados para uma possível invasão em grande escala.

    Do outro, a Rússia acusa a Ucrânia e os Estados Unidos de comportamento desestabilizador, e disse que precisa de garantias de segurança para sua própria proteção.

     

     

    Nesta segunda-feira (13), o vice-ministro das Relações Exteriores, Sergei Ryabkov, disse que a Rússia pode ser “forçada” a implementar mísseis nucleares de alcance intermediário na Europa, já que, segundo ele, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) tem planos fazer o mesmo contra os russos.

    Entrevista à agência de notícias russa (RIA), Ryabkov falou que Moscou teria que dar o primeiro passo caso a OTAN se recusasse a se envolver com o país para evitar o movimento.

    Os comentários aumentaram ainda mais as apostas em um impasse Leste-Oeste no qual a Rússia está exigindo garantias de segurança do Ocidente, enquanto os Estados Unidos e seus aliados estão alertando Moscou para recuar no plano de possível invasão da Ucrânia — algo que Ryabkov negou novamente ser a intenção da Rússia.

    As forças nucleares de alcance intermediário (INF) na Europa foram proibidas sob um tratado de 1987, acordado entre o líder soviético Mikhail Gorbachev e o presidente dos EUA Ronald Reagan, algo que foi entendido na época como uma grande flexibilização das tensões da Guerra Fria.

    Washington abandonou o pacto em 2019 depois de reclamar por anos de supostas violações russas.

    Ryabkov disse que havia “indicações indiretas” de que a OTAN estava se aproximando da reimplantação da INF, incluindo sua restauração no mês passado do 56º Comando de Artilharia que operava mísseis Pershing com capacidade nuclear durante a Guerra Fria.

    Completa falta de confiança

    “A falta de progresso em direção a uma solução política e diplomática para este problema levará à nossa resposta de natureza militar e técnica militar”, disse ele.

    “Ou seja, será um confronto, esta será nosso próximo passo, o aparecimento de tais recursos do nosso lado. No momento não há nenhum, temos uma ideia unilateral. Pedimos que a OTAN e os EUA se juntem a essa moratória.”

    A OTAN diz que não haverá novos mísseis americanos na Europa e está pronta para deter mísseis russos, com uma resposta que envolveria apenas armas convencionais.

    Mas Ryabkov disse que a Rússia tinha uma “completa falta de confiança” na OTAN.

    “Eles não se permitem fazer nada que possa, de alguma forma, aumentar nossa segurança — eles acreditam que podem agir conforme a necessidade, ou seja, a seu favor, e nós simplesmente temos que engolir e lidar com isso. Mas isso não vai continuar.”

    O presidente russo Vladimir Putin e o presidente dos EUA Joe Biden conversaram duas horas na semana passada sobre a crise da Ucrânia e a exigência de Moscou para o que chamam de garantias de segurança legalmente vinculadas do Ocidente.

    Ryabkov disse que a Rússia apresentaria suas propostas de acompanhamento aos Estados Unidos, e possivelmente também a outros países da OTAN, nas próximas semanas.

    O porta-voz de Putin, no entanto, disse esperar que as ideias russas sejam apresentadas esta semana.

    Na última semana, o ministro da Defesa ucraniano, Oleksiy Reznikov, disse à CNN que haverá um “massacre realmente sangrento” se a Rússia decidir invadir a Ucrânia, e avisou que “os russos também voltarão em caixões”.