Um ano depois, mercado de Wuhan no epicentro da Covid continua fechado e vazio

Apesar da cidade ter voltado à vida, mercado continua deserto

Lai Yun, proprietário de restaurante em Wuhan, prepara salmão quase um ano depois do início da pandemia
Lai Yun, proprietário de restaurante em Wuhan, prepara salmão quase um ano depois do início da pandemia Foto: Aly Song/Reuters (11.dez.2020)

Reuters

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Durante mais de seis anos, Lai Yun, dono de restaurante de Wuhan, iniciava a maioria dos dias indo ao mercado atacadista de frutos do mar Huanan, situado a dez minutos de caminhada de sua casa.

“Eu mandava as crianças para a escola, tomava o café da manhã e ia a pé até o mercado. Era muito conveniente”, contou.

Isso mudou no dia 31 de dezembro de 2019 depois que quatro casos de uma pneumonia misteriosa foram ligados ao mercado e este foi fechado da noite para o dia. Posteriormente, a cidade chinesa iniciou um lockdown penoso de 76 dias com poucas horas de aviso prévio e proibiu as pessoas de saírem de casa.

Quase um ano após o início do surto, a Covid-19 já cobrou mais de 1,5 milhão de vidas, e o mercado de Wuhan continua vazio, apesar de a cidade ao seu redor ter voltado à vida.

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Ele se tornou um símbolo da batalha política e científica acirrada que vem sendo travada a respeito da origem do vírus – Pequim continua em atrito com os Estados Unidos e outros países, acusando-os de serem tendenciosos.

Uma equipe de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda nem visitou Wuhan, muito menos o mercado. Autoridades de saúde da China e do exterior alertaram que os esforços de rastreamento podem levar anos e produzir resultados inconclusivos.

Em Wuhan, onde o estigma de ser o primeiro epicentro do coronavírus é um fardo pesado, mais de uma dúzia de moradores e proprietários de negócios disseram à Reuters que não acreditam que o vírus surgiu na cidade.

“Certamente não poderia ter sido Wuhan… certamente outra pessoa o trouxe para cá. Ou certamente ele veio de algum outro produto comprado fora. Havia certas condições para ele aparecer aqui”, disse um vendedor do mercado no centro da cidade que se identificou como Chen.

Nos últimos meses, diplomatas e a mídia estatal da China disseram acreditar que o mercado não é a origem, mas a vítima da doença, e expressaram seu apoio a teorias segundo as quais o vírus pode ter se originado em outro país.

Especialistas dizem que o mercado ainda desempenha um papel na investigação e por isso é improvável que seja demolido, embora grande parte desta pesquisa vá depender de amostras tiradas imediatamente após o início do surto.

“O primeiro foco de casos foi aqui, então ao menos seria de interesse descobrir a origem deles e aventar algumas hipóteses, como se é mais provável que tenha vindo de animais selvagens ou talvez aponte para um super disseminador humano”, disse Jin Dong-Yan, professor de virologia da Universidade de Hong Kong.

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