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    Vice-ministro do Reino Unido diz à CNN que Ucrânia deve negociar a paz a partir de uma posição de força

    David Rutley participa nesta sexta (23) de reunião da OEA em Washington, onde vai reafirmar “a soberania britânica nas Ilhas Malvinas”

    Militares ucranianos disparam um obus autopropulsado Caesar contra as tropas russas perto de Avdiivka
    Militares ucranianos disparam um obus autopropulsado Caesar contra as tropas russas perto de Avdiivka 31/05/2023REUTERS/Viacheslav Ratynskyi

    Américo Martinsda CNN

    em Londres

    O vice-ministro de Relações Exteriores do Reino Unido para as Américas, David Rutley, disse que a Ucrânia deve negociar a paz com a Rússia a partir de “uma posição de força”.

    “A história nos diz que a Rússia, ou qualquer entidade que esteja envolvida com a Rússia, responde melhor a interlocutores que estejam em uma posição de força. E é essa a abordagem que estamos adotando ao apoiar o presidente Volodymyr Zelensky”, disse ele numa entrevista exclusiva à CNN.

    Rutley comentou a proposta do Brasil de mediar o conflito na Ucrânia, elaborada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele concorda que realmente é importante falar de paz, mas uma “paz justa e sustentável”.

    “Precisamos estar cientes de que a paz precisa ser justa e sustentável. Mas a paz não deve recompensar, ou parecer recompensar, o presidente (Vladimir) Putin por suas ações ilegais”, afirmou.

    Com isso, Rutley quis deixar claro que qualquer ação diplomática para acabar com o conflito deve exigir a retirada de todas as tropas russas de territórios ucranianos.

    O vice-ministro também reconheceu a posição do Brasil e de outros países da América Latina que votaram contra a invasão russa e em defesa da integridade territorial da Ucrânia.

    O político britânico disse que o seu país pretende investir mais nas relações com o continente, e em especial com o Brasil. Segundo ele, há um grande potencial para o crescimento do comércio bilateral e que um acordo de livre comércio entre o Reino Unido e o Mercosul pode ser uma realidade no futuro.

    Ele defendeu ainda que os parlamentos dos dois países aprovem rapidamente o tratado de bitributação, que vai evitar que empresa e pessoas sejam taxadas simultaneamente no Brasil e no Reino Unido. “A aprovação vai levar a mais investimentos diretos de um país no outro”, disse.

    Em visita ao Brasil, o deputado britânico Marco Longhi, enviado do comércio do Reino Unido ao país, afirmou que “o texto deste acordo vai chegar na terça-feira (27) no parlamento britânico. Este assunto tem sido priorizado e nossa tentativa é para que seja aprovado no próximo mês”.

    Ilhas Malvinas

    Rutley vai participar nesta sexta-feira (23) da Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, Estados Unidos.

    Esta é a primeira vez que um vice-ministro britânico participa pessoalmente da assembleia.

    Um dos tópicos em discussão será a soberania das Ilhas Malvinas (ou Falklands, em inglês), reivindicada pela Argentina.

    Em março deste ano, a Argentina confirmou que estava deixando um pacto firmado em 2016 com o Reino Unido no qual os dois países concordaram em  cooperar em questões como energia, navegação e pesca, e na identificação dos restos mortais de soldados argentinos mortos em combate na guerra de 1982.

    Buenos Aires vai apresentar mais uma resolução afirmando que “as Ilhas Malvinas são da Argentina”.

    Mas o vice-ministro diz que vai ser muito claro: “não temos dúvidas sobre a soberania do Reino Unido nas ‘Falklands’”.

    “Também vou deixar claro que é importante reconhecer o direito de autodeterminação dos ilhéus”, disse, numa referência às indicações de que os moradores das ilhas, de grande maioria britânicos, pretendem continuar no Reino Unido.

    A decisão da Argentina de sair do pacto com os britânicos foi entendida por muitos analistas como um movimento político do governo do presidente Alberto Fernández relacionado às eleições presidenciais de outubro.

    Fernández estaria tentando usar as Malvinas, mais uma vez, para acionar o sentimento nacionalista dos argentinos tentando obter votos para seus aliados na disputa.