Monitoramento de esgoto indica que número de infectados em BH é 10 vezes maior

A pesquisa, realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), detectou o vírus em 100% as amostras de esgoto coletadas no sistema da bacia do Onça

Giovanna Bronze, da CNN, em São Paulo
13 de junho de 2020 às 06:30 | Atualizado 13 de junho de 2020 às 07:29
Segundo dados do Atlas Esgotos: Despoluição de Bacias Hidrográficas, 45% da população brasileira ainda não têm acesso a serviço adequado de esgoto
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), indicou que o número total de pessoas contaminadas pela Covid-19 em Belo Horizonte (BH) é 10 vezes maior do que os números oficiais. Esse monitoramento é feito com base no sistema de esgoto da capital. 

Com os dados divulgados pela Prefeitura de BH em 5 de junho, que contabiliza 2.100 casos confirmados do novo coronavírus, os pesquisadores calculam que esse número deve estar em torno de 21 mil.

A pesquisa está na 8ª semana e detectou o vírus em 100% das amostras de esgoto coletadas no sistema de esgotamento sanitário da bacia do Onça – na quinta e sexta semana do estudo, a presença do coronavírus era de 80%.

Em três regiões da bacia do Onça, os pesquisadores encontraram os percentuais mais altos de contaminação na população: entre 3% e 7%. De acordo com a pesquisa, esses números são elevados porque se concentram em áreas de vulnerabilidade social. 

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Já no sistema de esgoto do ribeirão Arrudas, o vírus foi encontrado em 86% das amostras, com um crescimento de 7% em relação à última semana do estudo realizado pela UFMG. Com base na contagem da carga viral encontrada nas amostras de esgoto, os pesquisadores estimam que cerca de 0,6% da população que contribui para os sistemas de esgotamento sanitário do Arrudas e do Onça – cerca de 23 mil pessoas – chegou a contrair o novo coronavírus.

A professora e coordenadora da pesquisa, Juliana Calábria, acredita que a estimativa do estudo pode revelar de maneira mais assertiva o movimento da doença: “O mapeamento epidemiológico que estamos fazendo revela a real prevalência da doença, uma vez que o material encontrado no esgoto abrange todas as pessoas, sem distinção, enquanto os testes clínicos, em geral, são limitados a quem tem sintomas, mais ou menos graves”.

As informações foram publicadas no quinto boletim do Monitoramento Covid Esgotos, divulgado nesta sexta-feira (12).  A iniciativa é da Agência Nacional de Águas e do INCT Estações de Tratamento de Esgoto Sustentáveis (ETES Sustentáveis), sediado e coordenado na UFMG, e tem parceria do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), da Copasa, empresa de saneamento do estado, e da Secretaria de Saúde de Minas.