Cai para 33,8 milhões número de pessoas rigorosamente isoladas contra a pandemia

Nas três primeiras semanas de setembro, cerca de 5,1 milhões de pessoas interromperam as medidas mais rígidas de isolamento, diz pesquisa do IBGE

Agência Brasil
09 de outubro de 2020 às 11:36
Pessoas fazem exercício no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, após a flexibilização do isolamento social durante a pandemia
Foto: Rovena Rosa - 17.jul.2020/Agência Brasil

O número de pessoas rigorosamente isoladas para contenção da pandemia do novo coronavírus caiu em 1,6 milhão entre a segunda e a terceira semana de setembro, totalizando 33,8 milhões. Nas três primeiras semanas de setembro, cerca de 5,1 milhões de pessoas interromperam as medidas mais rígidas de isolamento.

Os dados constam da edição semanal da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Covid-19, divulgada nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo a pesquisa, o grupo de pessoas que reduziu o contato, mas continuou saindo ou recebendo visitas, aumentou em 2,4 milhões na terceira semana de setembro.

Pela primeira vez desde junho, quando o tema passou a ser abordado pela pesquisa, esse é o maior grupo, representando 40,5% da população brasileira. As pessoas que adotaram esse comportamento mais flexível, agora, somam 85,7 milhões.

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Segundo o IBGE, anteriormente o maior grupo entre a população era formado por pessoas que ficavam em casa e só saíam por necessidade básica, que, na semana de 13 a 19 de setembro representavam 39,9% dos brasileiros. Essa parcela da população tem 84,4 milhões de pessoas, número estável em relação à semana anterior.

Outro grupo que permaneceu estável foi o formado por aqueles que não adotaram qualquer medida de restrição, somando 6,5 milhões de pessoas, ou 3,1% da população.

Para a coordenadora da pesquisa, Maria Lucia Vieira, a flexibilização do isolamento social é uma tendência que vem sendo observada desde que o tema passou a ser levantado.

“Toda semana tem cada vez menos pessoas que ficam rigorosamente isoladas dentro de casa e elas passam para uma medida um pouco menos restritiva, que é sair para resolver algumas coisas”, disse a pesquisadora, em nota.

Mercado de trabalho

Segundo Maria Lucia, a flexibilização também levou parte da população a buscar novamente o mercado de trabalho. “As pessoas estão, semana a semana, voltando a procurar trabalho ou a trabalhar. A pandemia vem deixando de ser a principal causa de as pessoas não buscarem trabalho”, disse.

Na terceira semana de setembro, segundo o levantamento, o número de pessoas que não estava ocupada e que apontava como motivos para não procurar emprego a pandemia ou não encontrar vagas na localidade caiu em 859 mil pessoas. Esse contingente passou a ser formado por 15,4 milhões de pessoas.

De acordo com a pesquisa, outro possível reflexo da flexibilização das medidas de isolamento foi o aumento no nível de ocupação da segunda para a terceira semana de setembro, chegando a 49,1%.

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“É a primeira vez [na série histórica da pesquisa] que o nível de ocupação tem um aumento significativo. Ele se dá a partir de variações positivas sucessivas da população ocupada nessas últimas quatro semanas. Esse contingente vem aumentando um pouco, não de forma estaticamente significativa, mas há uma tendência de crescimento. O mercado de trabalho já parece mostrar as primeiras reações de recuperação”, disse a gerente da pesquisa.

A população ocupada foi estimada em 83,7 milhões, o que é considerado estável na comparação com a semana anterior, quando eram 82,6 milhões de ocupados. O número de desempregados também se manteve estável, totalizando 13,3 milhões. Com isso, a taxa de desemprego foi de 13,7%.

Educação

Na semana de 13 a 19 de setembro, o país tinha cerca de 46,3 milhões de estudantes que frequentavam escolas ou universidades. Desses, 13,7%, ou 6,3 milhões, não tiveram atividades escolares no período. 

Esse contingente ficou estatisticamente estável em relação à semana anterior de 6,8 milhões ou 14,7% dos estudantes, mas caiu frente à semana de 28 de junho a 4 de julho, de 9 milhões ou 20% dos estudantes.

Entre os 39,5 milhões de estudantes que tiveram atividades escolares na terceira semana de setembro, 26,2 milhões, ou 66,3%, tiveram atividades em cinco dias da semana, mantendo estabilidade frente à semana anterior, que era de 25,5 milhões, ou 65,4%.