A cada 10 minutos, uma mulher sofreu abuso sexual no primeiro semestre de 2021

Notificações do crime apresentaram um aumento de 8,3% na comparação com o mesmo período do ano passado

De janeiro à junho, foram 26.709 vítimas
De janeiro à junho, foram 26.709 vítimas Paulo H. Carvalho - Agência Brasília

Beatriz PuenteElis Barretoda CNN

Rio de Janeiro

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Dados inéditos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) mostram que uma mulher sofreu violência sexual a cada dez minutos no Brasil, no primeiro semestre de 2021.

De janeiro a junho deste ano, foram 26.709 vítimas. Comparado com o mesmo período do ano anterior, o número representa um aumento de 8,3%, quando foram registrados 24.664 casos.

Segundo o Anuário de Segurança Pública, produzido pelo Fórum e publicado em julho deste ano, cerca de 60% das vítimas desse tipo de violência são crianças e adolescentes de até 13 anos.

E em 85% dos casos, o autor do abuso é uma pessoa conhecida da vítima. Ainda segundo o Fórum, 99,9% dos autores do crime de violência sexual são do gênero masculino.

À CNN, a socióloga e diretora-executiva do Fórum de Segurança Pública, Samira Bueno, explicou, que apesar de os números serem alarmantes e graves, existe muita subnotificação de casos.

A pandemia e o isolamento social contribuíram para que houvesse menos denúncias.

“Nos casos de violência sexual, o fato da maioria das vítimas serem vulneráveis torna as coisas mais difíceis. Uma criança de sete ou oito anos denunciar um abuso, e pedir ajuda é mais complicado. A escola, por exemplo, ajuda na identificação do abuso. Muitas vezes é o profissional de educação que percebe que caiu o rendimento da criança, mudanças comportamentais, e chama algum responsável para conversar”, afirma.

No primeiro semestre deste ano, o Brasil registrou 666 casos de feminicídio, um leve aumento de 0,5% na comparação com o mesmo período de 2020, quando 663 casos foram registrados.

Entretanto, no segundo trimestre de 2021, os casos de feminicídio foram maiores, inclusive, do que os do mesmo período do ano de 2019. Foram 348 casos de abril a junho deste ano. Em 2019, foram 338.

Segundo Samira Bueno, isso se deve ao período em que os casos da pandemia voltaram a crescer e algumas medidas restritivas foram implementadas. Com isso, as pessoas retornaram ao isolamento, o que propiciou o aumento desses números.

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