Advogados fazem apelo para mãe de Henry prestar novo depoimento

Monique Medeiros e Dr. Jairinho estão com defesas separadas. Polícia Civil afirma que decisão sobre depoimentos é do delegado

Henry Borel, de 4 anos, morreu em 8 de março; padrasto e mãe falam em acidente, mas polícia investiga agressão
Henry Borel, de 4 anos, morreu em 8 de março; padrasto e mãe falam em acidente, mas polícia investiga agressão Foto: Reprodução/Instagram

Paula Martini, Thayana Araújo, Iuri Corsini, da CNN, no Rio de Janeiro

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Os advogados da mãe de Henry Borel fizeram um novo pedido para que Monique Medeiros seja ouvida mais uma vez na investigação sobre a morte do menino de quatro anos. Em comunicado enviado neste sábado (17), a defesa argumenta que outras pessoas prestaram dois depoimentos na investigação.

A babá de Henry e a funcionária do lar que trabalhava no apartamento onde a criança morava com Monique e o vereador Dr. Jairinho apresentaram versões diferentes sobre o convívio da família nas duas vezes em que falaram à polícia. De acordo com o termo de declaração do primeiro depoimento de Monique, ela disse à polícia que “não acredita que Jairinho tenha feito qualquer coisa contra seu filho, até porque a relação entre eles era boa e ele sempre tentava cativar o amor de Henry”.

Mas o texto divulgado neste sábado (17) fala em “buscar a verdade por completo” e diz que não há motivos para “calar Monique”. Os advogados também afirmam que foi observada a “repetição de um comportamento padrão de violência contra e mulheres e crianças”.  Nos últimos dias, ex-companheiras de Dr. Jairinho denunciaram episódios de violência doméstica. O vereador é investigado por agressão e tortura a duas crianças, filhas de ex-namoradas.  

Apesar do apelo dos advogados, o delegado Henrique Damasceno, que apura a morte de Henry, ainda não decidiu se Monique terá oportunidade de falar novamente. Procurado pela CNN, o advogado Thiago Minagé classificou como absurda uma possível negativa. “Será o maior absurdo a negativa de um novo depoimento para Monique. Principalmente pelo fato de somente agora ela ter uma defesa “somente dela” e livre de qualquer opressão ou ameaça”, disse. 

Já o advogado criminalista e membro da Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Carlos Nicodemos ressalta que o inquérito policial tem que ser concluído em até 10 dias quando os investigados estão presos e que uma nova oitiva pode retardar esse prazo.  

“O delegado pode concluir a investigação sem ouvi-la e remeter ao Ministério Público, que pode inclusive analisar esse pleito da defesa, podendo devolver ao delegado para ouvir a acusada. Ou, pode denunciá- la, quando ela terá a oportunidade de se manifestar na própria ação penal”, explica Nicodemos. 

Através de uma nota, a Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que cabe ao delegado avaliar a necessidade de ouvir ou não qualquer pessoa envolvida no caso. 

Monique Medeiros e Jairinho eram defendidos pelo advogado André França Barreto desde a morte da criança, em 8 de março, até a semana passada. Neste sábado (17), o advogado criminalista Braz Sant’Anna confirmou à CNN que assumiu a defesa de Jairinho na última quinta. O defensor informou que só vai dar informações sobre a nova estratégia na semana que vem porque ainda precisa se inteirar sobre o processo.

A previsão é que assistentes do criminalista compareçam à delegacia até terça-feira (20) para buscar cópias de depoimentos e de perícias realizadas pelos investigadores. Na quarta-feira, os advogados Thiago Minagé, Hugo Novais e Thaise Mattar Assad assumiram a defesa de Monique. 

CONFIRA A ÍNTEGRA DA NOTA DA DEFESA DE MONIQUE

Dentro do objetivo de atuar com a verdade, a defesa da Sra. Monique Medeiros, insiste na necessidade da sua nova audição pelo Senhor Delegado de Polícia que preside o Inquérito e faz um público apelo, para a referida Autoridade Policial, neste sentido. “Se várias pessoas foram ouvidas novamente, não tem sentido deixar de ouvir Monique. Logo ela que tanto tem a esclarecer. Não crê a defesa que exista algum motivo oculto para “calar Monique” ou não se buscar a verdade por completo. A defesa observou, do estudo dos novos elementos do Inquérito, que há repetição de um comportamento padrão de violência contra mulheres e crianças. Neste lamentável caso, a diferença foi a morte da criança. 

Rio de Janeiro, 17 de abril de 2021.

Thiago Minagé
Hugo Novais
Thaise Mattar Assad
Advogados

CONFIRA A NOTA DA POLÍCIA CIVIL DO RIO DE JANEIRO
Cabe ao Delegado, que é o presidente do inquérito policial, avaliar a necessidade de ouvir ou não qualquer pessoa envolvida no fato.

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