Amazônia está sofrendo transformações graves e isso tende a piorar, diz IPAM

Mapeamento apontou que o Brasil teve quase 20% de seu território queimado entre 1985 e 2020

Funcionário do Ibama combate o fogo na Amazônia em Novo Progresso (PA)
Funcionário do Ibama combate o fogo na Amazônia em Novo Progresso (PA) Foto: Ernesto Carriço/NurPhoto via Getty Images

Amanda Garcia, da CNN, em São Paulo

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Dados de um estudo do projeto MapBiomas apontaram que o Brasil teve quase 20% de seu território queimado entre 1985 e 2020. A diretora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Ane Alencar, chamou a atenção para a situação na Amazônia, que, segundo ela, “só tende a piorar.”

“A Amazônia está sofrendo transformações graves, com um clima mais seco, de fato se a gente não controlar as fontes de ignição, esse fogo entra na floresta e vai degradando, e o grande impacto disso é que as espécies que são mais resistentes vão dominar e a biodiversidade ficará mais pobre”, explicou, em entrevista à CNN.

Ane destaca que o levantamento “revela claramente que a taxa de recorrência” do fogo na Amazônia está muito parecida com o Pantanal e o Cerrado, que “são biomas em que o fogo é presente na dinâmica.”

Segundo ela, “o fogo é um agente de transformação da paisagem e é uma importante ferramenta usada na produção agropecuária do Brasil, que tem estado presente por muito tempo, mas a ação humana tem intensificado o uso desse fogo e impactado alguns biomas.”

A diretora do IPAM disse ainda que o fogo traz, além da diminuição da qualidade do habitat, perdas econômicas: “Como as relacionadas à perda de pasto por exemplo, tem que deslocar o gado, há perda de infraestrutura e até impactos na saúde, na época de queimadas, na Amazônia, o ar fica insuportável.”

Ane Alencar também aponta a importância de estudos como o Projeto MapBiomas que, de acordo com ela, “são fundamentais no planejamento e combate às queimadas.”

*Produção de Bel Campos, da CNN

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