Caso Moïse: ato no Rio acontece em frente a quiosque onde congolês foi morto

Fim de semana tem atos marcados em pelo menos 20 cidades no Brasil; manifestações também estão previstas em Londres, Berlim e Nova York

Beatriz PuenteIsabelle Salemeda CNN

no Rio de Janeiro

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A morte do congolês Moïse Kabagambe, de 24 anos, causou grande comoção nacional e internacional. Neste final de semana, pelo menos 20 cidades brasileiras têm atos marcados em protesto pelo assassinato do jovem. Fora do Brasil, nas cidades de Londres, Berlim e Nova York também há protestos programados.

No Rio de Janeiro, o ato acontece em frente aos quiosques Biruta e Tropicália, na Barra da Tijuca, onde o jovem foi morto. Pelo menos cinco ônibus trouxeram pessoas para participarem do ato, que começou por volta das 10 horas da manhã. Um carro de som foi usado para expressar o repúdio à morte violenta do congolês e pedir justiça.

A Polícia Militar reforçou o patrulhamento no local. Moïse Kabagambe morreu após ser espancado por três homens no último dia 24. Os agressores foram presos uma semana depois, na terça-feira (1), em caráter temporário, por 30 dias.

Os atos estão sendo organizados pelos familiares, pela Frente Nacional Antirracista, Movimento Negro e pela comunidade congolesa.

Dez capitais programam manifestações, a maioria neste sábado (5). Entre elas estão: Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Cuiabá (MT), Natal (RN), São Luis (MA), Recife (PE), Curitiba (PR) e Palmas (TO).

De acordo com a família, o congolês trabalhava como freelancer em quiosques da orla e teria ido cobrar uma dívida trabalhista no valor de R$ 200. A Polícia Civil do Rio de Janeiro já ouviu pelo menos doze pessoas na investigação.

Na sexta-feira (4), uma faixa com a foto de Moïse Kabagambe foi colocada no quiosque onde o rapaz foi assassinado. O protesto feito pela ONG Rio de Paz expôs no cartaz uma frase da mãe do congolês após a perda do filho: “Fugimos do Congo para que não nos matassem. Mas mataram meu filho aqui”, disse Ivana Lay.

Quiosques em que aconteceram as agressões vão ser transformados em memorial

Os quiosques Biruta e Tropicália vão ser transformados em memorial à cultura congolesa e africana. Na fachada, vai ser colocada a foto de Moïse Kabagambe.

A iniciativa da Secretaria Municipal de Fazenda e Planejamento tem o objetivo de promover a integração social e econômica de refugiados africanos e reafirmar o compromisso da cidade com a promoção de oportunidades para todos.

A ação será realizada em parceria com a Orla Rio, concessionária que opera os estabelecimentos e que já tinha determinado a interdição do local até que o caso fosse apurado.

“A transformação do local busca ser uma reparação à família, uma oportunidade de inserção socioeconômica de refugiados, além de um ponto de transmissão da cultura africana. E um memorial em homenagem a Moïse Kabagambe representará naquele espaço público uma lembrança para que não seja fácil esquecer e que jamais se repita a barbárie que o vitimou”, disse o secretário de Fazenda Pedro Paulo.

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