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    Caso Moïse: Relatório final vai cobrar investigação sobre omissões

    Na segunda (14), promotor do caso afirmou à CNN que 7 pessoas podem responder por omissão, entre elas 2 PMs e 2 guardas, que não teriam prestado socorro

    Quiosque Tropicália, na praia da Barra da Tijuca, onde o imigrante congolês Moïse Kabagambe foi espancado até a morte
    Quiosque Tropicália, na praia da Barra da Tijuca, onde o imigrante congolês Moïse Kabagambe foi espancado até a morte Fernando Frazão/Agência Brasil

    Cleber RodriguesPedro DuranBeatriz Puenteda CNN

    No Rio de Janeiro

    Integrantes da Comissão de Direitos Humanos do Senado e da Câmara Federal querem a identificação de todos os presentes na cena do crime, além dos agentes públicos suspeitos de omissão de socorro à Moïse Kabagambe, espancado até a morte, no Rio de Janeiro. A cobrança deve constar no relatório final das diligências feitas no Rio.

    De acordo com Carlos Veras (PT-CE), presidente da Comissão de Direitos Humanos na Câmara dos Deputados, a íntegra das imagens do quiosque onde Moïse foi morto mostram claramente a presença de outras pessoas, além dos três homens presos pelas agressões. Isso aponta, segundo o parlamentar, indícios de omissão de socorro.

    “Não dá para paralisar o processo nos três que estão presos. Todos que estão envolvidos ali, seja pelo crime de omissão, incentivando, além dos que praticaram as agressões, precisam ser investigados”, cobrou, Veras.

    Nesta segunda (15), em entrevista à CNN Brasil, o promotor do caso Alexandre Murilo Graça afirmou que a lista de pessoas que devem ser investigadas, inclui três homens que aparecem nas quase quatro horas de gravações no quiosque, além de quatro agentes de segurança, sendo dois policiais militares e dois guardas civis, suspeitos de não terem atuado para conter as agressões.

    No caso mais contundente uma testemunha afirmou, em depoimento à polícia, que pediu socorro a dois guardas municipais para conter as agressões ao congolês e que os mesmos teriam negado.

    Você tem outros crimes que podem ter acontecido ali que estão sendo investigados. Nós, desde o começo, estamos junto com a autoridade policial pra poder identificar esses outros crimes e esses outros autores. Nós podemos falar da omissão de socorro, na conduta de repente de agentes públicos que não interviram, eles não atuaram quando deveriam atuar.

    Alexandre Murilo Graça, promotor do caso

    Em nota, a Polícia Militar afirmou que a Corregedoria Geral da Corporação abriu um procedimento para averiguar as denúncias. A CNN também contatou a Secretaria de Ordem Pública e aguarda um posicionamento.

    Nesta terça-feira (15), integrantes do Senado, da Câmara Federal e representantes de movimentos, participaram de uma reunião no gabinete da presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, Dani Monteiro. Foi o segundo e último dia de diligências da comitiva federal na capital fluminense, no âmbito das investigações sobre o assassinato de Moïse Kabagambe.

    Na segunda-feira (14), os membros do congresso estiveram com o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), com o prefeito Eduardo Paes (PSD), além de integrantes do Ministério Público e de familiares de Moïse. A previsão é de que um relatório final seja produzido até quarta-feira (16).

    “Não se pode naturalizar esse caso. É algo que chocou o Brasil, chocou o mundo e que esperamos que nunca mais se repita. As Comissões de Direitos Humanos da Câmara e do Senado vão continuar acompanhando de perto as investigações e que a gente possa, a partir daí, criar ações públicas para evitar que outros crimes como esse venham a acontecer”, concluiu, Carlos Veras.