Cerca de 41% dos pacientes com Covid-19 em UTIs de SP precisam de hemodiálise

Uma das hipóteses de o novo coronavírus afetar os rins é a 'tempestade' que atinge o corpo

Timóteo Lopes e Iara Oliveira, da CNN em São Paulo

Ouvir notícia

Um levantamento da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) informou que ao menos 41% dos pacientes internados nas Unidades de Terapia Intensiva Adulto (UTI) com infecção pela Covid-19 evoluem com necessidade de terapia renal.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia, uma das hipóteses de o novo coronavírus afetar os rins é a “tempestade” inflamatória (uma reposta exagerada do sistema imune na tentativa de combater o vírus), que também afeta os órgãos que têm como função filtrar o sangue.

Além disso, os acometidos pelo vírus também podem apresentar insuficiência renal, a perda de capacidade dos rins de remover e equilibrar fluídos no organismo, em diferentes graus.

“No Brasil, a Sociedade Brasileira de Nefrologia junto com a Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT) estão fazendo um levantamento muito importante para saber a incidência, a prevalência, a letalidade e mortalidade dos pacientes na diálise. O fato é que no mundo, a gente já sabe que a letalidade e a mortalidade são maiores quando comparados à população geral” explica a médica Andrea Pio Abreu, diretora da Sociedade Brasileira de Nefrologia.

De acordo com especialistas, não é possível afirmar se as alterações nos rins acompanharão os pacientes quando eles se recuperarem da Covid-19. A chance é maior dependendo de fatores como idade, se a pessoa já sofria de algum quadro renal, da gravidade da infecção e de quão lesionados foram os rins e que muitos pacientes, mesmo fora da UTI, demoram para recuperar a função renal e acabam permanecendo mais tempo internados nas enfermarias ou ainda têm alta, mas vão ter que continuar fazendo hemodiálise.

Médicos de diferentes países notaram a presença excessiva de proteínas na urina, um sinal de nefrite (inflamação nos órgãos). De acordo com a Sociedade Americana de Nefrologia, a estimativa é que 20% a 40% dos pacientes internados —e, portanto, em estado grave— sofram com alguma alteração nos rins. Geralmente, são pelo menos três meses para a recuperação completa.

Investimento tecnológico

O Ministério da Saúde cortou cerca de R$ 12 milhões dos recursos para diálise em março e abril. Com menos verbas e aumento da demanda, clínicas conveniadas ao SUS não conseguem atender a todos os pacientes. Cerca de 3.000 brasileiros aguardam na fila por uma vaga para realizar o tratamento de hemodiálise.

O levantamento também aponta que somente 8,75% dos municípios do país têm a tecnologia que “imita” a função dos rins. Além da parcela significativa de cidades sem aparelhos, há também uma má distribuição deles: quase metade (47,5%) das 29.849 máquinas está no Sudeste.

Em nota, a prefeitura de São Paulo  afirma que todos os hospitais da rede pública contam com o serviço de terapia renal para pacientes internados, por meio de contratos com prestadores credenciados pela ANVISA, com disponibilização de equipamentos médicos e equipes especializadas, incluindo avaliação com especialista em nefrologia.

Com relação ao procedimento, a pasta informa que existe uma variação entre o peso, altura, o quadro clínico do paciente e o tipo de hemodiálise indicado, com tempo médio de 7 horas por sessão.

No Brasil, são mais de 140 mil pacientes renais crônicos, além dos casos de pessoas contaminadas com o novo coronavírus.

Hemodiálise
Covid-19 piora função renal de alguns pacientes; 47,5% dos aparelhos estão no sudeste do país
Foto: CNN (16.jun.2020)

 

Mais Recentes da CNN