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    Com novas chuvas, situação de Petrópolis pode se agravar, apontam especialistas

    Defesa Civil do município acionou pelo menos 14 sirenes para alertar moradores sobre chuva forte que cai na região 

    Novas chuvas podem agravar situação em Petrópolis
    Novas chuvas podem agravar situação em Petrópolis Tânia Rêgo/Agência Brasil

    Elis BarretoLucas Janoneda CNN

    no Rio de Janeiro

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    Com as novas chuvas que já começam a atingir a cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (17), especialistas ouvidos pela CNN alertam para o aumento do risco de novos deslizamentos no município.

    A Defesa Civil de Petrópolis já acionou pelo menos 14 sirenes para alerta de chuva forte na região. De acordo com um informe do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a previsão para o estado do Rio de Janeiro é de chuva intensa entre 30 e 60 milímetros por hora, e ventos fortes, que podem chegar a 100 km/h.

    O temporal, que começou a atingir a cidade na última terça-feira (15), já deixou pelo menos 111 mortos, além de deslizamentos, casas soterradas e desaparecidos.

    Segundo o geógrafo membro da Comissão Internacional de História da Meteorologia (ICHM), Carlos Oscar Júnior, as chuvas na Região Serrana do Rio de Janeiro podem perdurar por pelo menos três dias.

    “Essa tragédia aconteceu em função de uma zona de convergência climática que atua na região. Após analisar as condições meteorológicas, podemos afirmar que as chuvas devem perdurar por pelo menos três dias. Esse fenômeno em Petrópolis tem muito a ver com o relevo da região, que permite o escoamento de sedimentos com a força da água. Como aquele lugar está instável, qualquer volume pluviométrico é muito alarmante”, declarou o especialista.

    O professor do Instituto de Geografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Alexander Costa, explica que o solo predominante na região de Petrópolis tem uma característica mais argilosa e demora mais para absorver a água.

    Com as novas chuvas, o especialista afirma que não haverá tempo para o solo secar, o que aumenta a probabilidade de novos deslizamentos, mesmo com chuvas moderadas.

    “O solo é formado por partículas e ele tem espaços, chamados de poros, que eventualmente ficam ocupados por água. Quando chove, fica um volume maior de água ocupando esses poros, se chove muito, ele fica saturado, e perde o poder de absorção, ou seja, ele não infiltra mais a água, não tem mais absorção.”, explica o geólogo.

    Ainda segundo Costa, um grande volume de umidade acelera o processo erosivo do solo, e escoa sedimentos junto com a água. No caso de Petrópolis, o professor explica que, como é uma região serrana, a inclinação dos morros faz com que o solo fique pesado, e facilita os deslizamentos.

    “Essa situação é acelerada pelo desmatamento, áreas de grande inclinação não devem ser ocupadas por habitações, por rua, por nada, tem que preservar a vegetação original, para diminuir a possibilidade de deslizamento. Nesse caso, como já choveu, o solo ainda está com uma umidade antecedente muito grande, então o solo está muito instável.  Vai demorar um tempo para ele secar, então qualquer chuva, até mais fraca, já pode causar novos estragos.”, completa o especialista.

    Segundo a gerente de clima da World Resources Institute (WRI), organização não governamental ligada ao meio ambiente, Caroline Rocha, outra precipitação forte na região pode causar uma nova ‘catástrofe’ ambiental.

    “A cidade de Petrópolis está vulnerável em função do acontecimento de evento extremo. E agora estamos falando da possibilidade de um novo volume de chuvas, que pode agravar ainda mais a situação caótica presenciada no município”, explicou Caroline Rocha.

    Por volta das 18 horas, a Defesa Civil de Petrópolis  emitiu um novo alerta de mobilização para evacuação de moradores das áreas de risco do Quitandinha. O informe foi emitido para as comunidades da região por SMS e grupos de comunicação por aplicativo.

    A medida se dá por conta do volume de chuva que afeta a cidade no momento e seguirá, com intensidade moderada a forte para as próximas horas.

    A orientação é que os moradores de áreas de risco, que não tenham a opção de se acolher em casa de familiares em área segura, se desloquem para os pontos de apoio que funcionam na região. Em caso de emergência a população deve ligar para o 199.

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