Como será a volta às aulas em São Paulo

Os kits que serão fornecidos aos alunos são um destaque no planejamento. Segundo Rossieli, "os alunos que mais precisam, vão levar para casa

Sinara Peixoto, da CNN, em São Paulo

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A quarentena em função do novo coronavírus foi prorrogada pelo governador João Doria (PSDB) até o dia 23 de agosto. A volta às aulas, que seria no dia 8 de setembro, foi adiada para 7 de outubro.

Em entrevista à CNN neste domingo (9), o secretário estadual da Educação, Rossieli Soares, comentou sobre o planejamento para a reabertura das escolas. 

Ele afirmou que, apesar dos indicadores permitirem o retorno, por precaução, o estado decidiu pelo adiamento.

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Os kits que serão fornecidos aos alunos são um destaque no planejamento. Segundo Rossieli, “os que mais precisam, vão levar para casa. Não adianta dizer que o aluno vai ter tudo na escola – máscara, álcool – e chegar em casa, ele não ter”, ponderou.

O secretário também defendeu que “não é dentro da escola o principal fator de contaminação das crianças”. Ele cita estudos ao afirmar que “crianças, se contaminadas, têm pouquíssimos sintomas e são menos infectantes do que um adulto. Os adolescentes infectam como adultos, mas têm bem menos sintomas”, garante.

Rossieli disse que o estado não vai interferir na decisão dos municípios, mesmo sobre o retorno das aulas em escolas estaduais localizadas nas cidades. Para ele, essa deve ser uma decisão das autoridades locais.

Plano para o retorno

Segundo Doria, apesar do adiamento das aulas, a partir de 8 de setembro, tanto escolas públicas quanto as particulares terão a opção de reabrir para atividades de reforço escolar, recuperação e atividades opcionais desde que estejam em regiões que se encontram há pelo menos 28 dias na fase amarela do Plano SP.

“As escolas que optarem pela reabertura terão que respeitar o limite de alunos em sala de aula e, rigorosamente, os protocolos sanitários. Esta volta gradual e responsável das atividades escolares é fundamental principalmente para crianças das camadas mais desfavorecidas da sociedade”, disse Doria. 

Ele afirmou que, nos preparativos para a retomada das atividades, a secretaria da Educação do estado já adquiriu 12 milhões de máscaras em tecido, 300 mil face shields – protetor facial de acrílico –, mais de 10 mil termômetros a laser, 10 mil totens de álcool em gel e 121 mil litros de sabonete líquido, entre outros produtos de higiene e segurança pessoal.

Rossieli Soares, secretário estadual da Educação, afirmou que serão dadas atividades de apoio e não aulas curriculares nas escolas que optarem por retomar atividades presenciais já em setembro. 

“Esse reforço, essa recuperação, essas atividades presenciais poderão ser realizadas olhando para o reforço e recuperação, tutoria, acolhimento, atendimento individualizado. Uma conversa muitas vezes salva vidas”, afirmou.

Ele disse que a ideia do governo é priorizar o atendimento aos estudantes que mais precisam. “As aulas continuam remotas, mas quando a escola entender que determinadas atividades são importantes, seja pela saúde mental, seja pela motivação dos alunos, (…) poderão agregar outras atividades usando o espaço para atividade presencial.”

Soares disse que haverá um limite de até 35% dos alunos na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental e de 20% nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio.

Também presente na entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, o secretário de Educação da cidade de São Paulo, Bruno Caetano, afirmou que a Vigilância Sanitária analisará nos próximos dias os dados do município para anunciar ou não a possibilidade desse retorno de atividades presenciais de reforço já em setembro nas escolas administradas pela prefeitura.

“A cidade de São Paulo se prepara realizando um grande inquérito sorológico com as crianças. Estão sendo testadas, em quatro ondas, 6 mil crianças, alunas da rede pública municipal, para que a gente possa ter muita segurança nos dados e tenha a melhor decisão possível.”

(Com informações de Murillo Ferrari, da CNN)

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