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    Consciência negra para todos e sobre quem nem sempre é visto

    A vida de todo mundo requer portas abertas para engrenar; para os negros, o Novembro Negro é uma dessas janelas de oportunidades

    Luis Quintero/Unsplash

    Basília Rodrigues

    Excluir o negro na sociedade não mobiliza tantas reações, nem comove tanto o público, quanto as ações exclusivas e afirmativas para negros, como cotas sociais, bolsas de estudos, grupos e prêmios.

    Como exemplo prático, recentemente, em resposta à publicação de que haveria uma premiação para jornalistas negros no país, alguém comentou na internet: “que piada essa raça”.

    A causa negra segue incomodando mesmo após 135 anos do fim da escravidão.

    Tem a ver com a perspectiva sobre quem sempre se dá bem ou mal na história, sobre ter exclusividade em algo ou ser excluído. Em outras palavras, sobre o que é considerado padrão.

    Não faz muito tempo que as oportunidades estiveram restritas a uma classe social, com o mesmo tom de pele, de rostos e corpos muito parecidos entre si. Como o jogo era feito por eles, para eles, quem se insurgia ia para o tronco ou para prisão.

    Mas parecia que tudo estava absolutamente no seu lugar.

    Na pauta em que o negro se dá bem, ele e sua família se beneficiam e trazem avanços — econômicos, políticos, morais — para toda a sociedade; já naquela notícia em que o negro é excluído — tão cruel, quanto histórica — ele sai prejudicado para uma parcela seguir privilegiada. Então, tudo bem?

    A vida de todo mundo requer portas abertas para engrenar. Para os negros, o Novembro Negro é uma dessas janelas de oportunidades.

    A consciência negra está aí para mostrar quem padece de invisibilidade social todos os dias. Dá para perceber quem nem sempre é visto.

    Datas marcadas no calendário oficial fazem pensar sobre grandes acontecimentos da história, grandes comemorações ou grandes perdas. O 20 de Novembro é sobre todas as Dandaras e todos os Zumbis que seguem na luta.

    VÍDEO – Anielle Franco: Reparação histórica com negros está em curso, mas é preciso avançar