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    Cúpula da Amazônia reúne 15 países em Belém de olho em combate ao crime organizado

    Declaração abordará combate ao crime organizado e será estratégica para alavancar diplomacia ambiental

    Encontro na Amazônia tem como foco a cooperação entre as nações, principalmente para o combate a mudanças climáticas
    Encontro na Amazônia tem como foco a cooperação entre as nações, principalmente para o combate a mudanças climáticas Ignacio Palacios/Getty Images

    Carol Raciunasda CNN

    São Paulo

    Na próxima semana, a cúpula da Amazônia deve reunir representantes de 15 países em Belém. O encontro tem como foco a cooperação entre as nações principalmente para o combate a mudanças climáticas.

    O documento a ser lido na reunião deve ser longo, contando ainda com reivindicações de combate ao crime organizado na Amazônia.

    Para o coordenador de comunicação do Observatório do Clima, Claudio Angelo, o encontro é um importante passo no posicionamento das lideranças na diplomacia ambiental. “O Brasil e a Colômbia estão muito engajados, inclusive captando investimentos estrangeiros por conta desse foco na resolução da crise climática”, avalia Claudio.

    Para ele, a declaração formulada para o encontro dessa semana se destaca em comparação com as de cúpulas anteriores. Antes, o espaço era preenchido por declarações genéricas e com princípios de cooperação.

    Agora, a intenção é que o texto seja substancial. Ainda em formulação, já tem 130 parágrafos. Além da demanda pela produção de acordos de cooperação entre as nações, a declaração destacará a necessidade de contar com estratégias de segurança e combate ao crime organizado que, segundo o especialista, está muito mais forte do que costumava ser.

    População prisional

    Segundo o informe “Segurança Pública e Crime Organizado na Amazônia Legal”, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entre 2016 e 2022, houve um crescimento de 35,2% da população prisional dos Estados da Amazônia Legal. Enquanto isso, no Brasil o aumento foi menor, de 14,1%.

    Ainda de acordo com Claudio Angelo, o Brasil está tentando trazer uma linguagem de desmatamento zero para o texto da declaração, além de colaboração científica, uma espécie de IPCC da Amazônia.

    Para ele, este não é um evento isolado. “Está dentro de uma estratégia maior do Brasil que começa agora pela cúpula da Amazônia, passa pelo G20, no ano que vem, e chega na COP30, em 2025. Então o governo brasileiro enxerga isso como um grande contínuo dessa construção de retomada da agenda climática”, afirma.

    Claudio destaca ainda que esses encontros acontecem diante de um cenário de emergência climática, de eventos extremos e sem controle.

    O objetivo é construir consensos para aumentar a ambição na resolução da crise climática e, no caminho, reposicionar o Brasil como uma liderança nesse campo.