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    CNN Plural

    “Deus já deve estar de saco cheio”

    Brasil é o país que mais mata LGBTQIAP+ no mundo

    Mulher na Parada LGBT+ em São Paulo
    Mulher na Parada LGBT+ em São Paulo CELSO LUIX/ESTADÃO CONTEÚDO

    Letícia Vidicada CNN

    em São Paulo

    “Os habitantes da Terra
    Estão abusando
    Ao nosso Supremo Divino
    Sobrecarregando
    Fazendo o quê?

    (…)

    Tudo que se faz na Terra
    Se coloca Deus no meio
    Deus já deve estar
    De saco cheio…”

    Como boa amante do samba que sou, recorro aqui a uma letra do eterno sambista e compositor Almir Guineto que diz muito sobre o uso que algumas criaturas humanas têm feito do nome de Deus para incitar e propagar violências que nada tem de divinas. Mas são uma propagação do ódio. E, como disse o filósofo e historiador Leandro Karnal certa vez: “…discurso de ódio em nome de Deus é a suprema elaboração do mal”.

    Divino é pensar que devemos amar ao nosso próximo, respeitar as diferenças, sermos empáticos e jamais – em hipótese alguma – discriminar alguém por sua orientação sexual ou identidade de gênero, por exemplo. E, se isso for feito, o nome disso é HOMOTRANSFOBIA. E sim, é crime.

    Há quatro anos, a homotransfobia passou a ser crime no Brasil depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou ao crime de racismo e considerou essa aversão odiosa à comunidade LGBTQIAPN+ um crime com até 3 anos de xadrez, inafiançável e imprescritível.

    E isso não é exagero, não é mimimi e não é ativismo! É crime porque mata!

    Infelizmente, o Brasil segue no topo de uma lista onde ninguém quer o primeiro lugar: SOMOS O PAÍS QUE COM MAIS MORTES LGBTQIAP+ NO MUNDO!
    O Brasil assassinou uma pessoa da comunidade LGBTI+ a cada 32 horas em 2022.

    Segundo dados do Dossiê de mortes e violência LGBTI+, só no ano passado, 273 pessoas morreram no país por fazerem parte da comunidade. Em sua maioria, mulheres trans e travestis. Números que são muito maiores já que sabemos que a subnotificação, o medo e a insegurança não deixam que saibamos ao certo quantos mais estão sendo violentados, espancados e assassinados por conta da sua orientação sexual e/ou identidade de gênero.

    E contra dados e fatos não há argumentos. E se houvesse argumento deveria ser um apelo divino para que respeitássemos uns aos outros e incitássemos o amor e não o ódio. Mas, para alguns, a lógica é reversa já que alguns dos habitantes da Terra estão abusando e ao nosso Supremo Divino sobrecarregando. E, como diz a letra do samba, há quem siga…

    “Fazendo mil besteiras, e o mal sem ter motivo
    E só se lembram de Deus quando estão no perigo”