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    “Doutor Bumbum”: falso paramédico é condenado a 3 anos de prisão em SP

    Patrick Galvão foi preso em flagrante em 2019 após se passar por médico; defesa do acusado diz que há provas que comprovam sua inocência

    Fachada do Tribunal de Justiça de São Paulo
    Fachada do Tribunal de Justiça de São Paulo Antônio Carreta/TJSP/Divulgação

    Julia FariasYasmin Oliveirada CNN*

    O falso paramédico Patrick Galvão Matos Ferreira foi condenado pela Justiça de São Paulo a 3 anos e 4 meses em regime semiaberto, após aplicação de uma substância nos glúteos de uma paciente.

    Patrick foi preso no dia 19 de março de 2019, em um hotel localizado no Centro de Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, quando se preparava para aplicar uma substância em uma mulher de 26 anos.

    Segundo a sentença do Tribunal de Justiça, a vítima contou que conheceu Patrick, que não possuía qualquer formação na área médica e nem conhecimento para a realização de tais procedimentos, em 2018, por meio de uma colega que treinava junto com ele em uma academia.

    A vítima relatou ter feito três aplicações na região dos glúteos em diferentes dias, pagando o total de R$ 1.300 pelo procedimento.

    Após a aplicação da substância feita pelo falso paramédico, que também se passava por bombeiro, a mulher começou a sentir desconfortos e dores na região de uma das penas acompanhada por tosses e falta de ar, por isso decidiu procurar o réu para reclamar dos efeitos das aplicações.

    Na ocasião, como solução Patrick optou em “prescrever” alguns remédios para a vítima e a orientou a evitar esforços físicos, garantindo que a dor passaria. O réu ainda chegou a realizar outro procedimento na mulher, que explicou ser uma “drenagem”, onde ele furou a perna da vítima com uma agulha e ficou espremendo, pois segundo ele “melhoraria o inchaço e a dor”.

    A vítima apresentou uma melhora em relação às dores na perna, porém a tosse e a falta de ar ainda persistiram, fazendo com que ela buscasse ajuda médica. A partir disso, a mulher tomou conhecimento que essas poderiam ser as reações do produto utilizado pelo falso paramédico em seu corpo.

    Foi constatado a partir das análises do Instituto Médico Legal (IML) que o produto utilizado por Patrick se tratava de um óleo mineral e não de Metacril, uma substância sintética usada por cirurgiões plásticos para dar mais firmeza aos glúteos.

    Quando interrogado, o falso paramédico afirmou que não conhecia a vítima, disse que nunca trabalhou com aplicações de silicone para fins de estética e que trabalhava como gerente de venda comercial. Patrick negou que nunca trabalhou ou se vestiu com o uniforme do SAMU.

    Procurada pela CNN, a defesa de Patrick Galvão ressaltou que existem provas da inocência de seu cliente e que ele não praticou nenhum ato ilícito.

    “Na qualidade de advogados constituídos por Patrick Galvão Matos Ferreira, vimos, por meio desta, manifestar nosso veemente repúdio à sentença proferida em desfavor de nosso constituinte. Cabe-nos salientar que existem provas contundentes que comprovam a inocência de Patrick, demonstrando inequivocamente que ele não praticou qualquer ato ilícito.”

    A defesa ainda afirma que já entrou com recurso contra a decisão judicial. Segundo os representantes legais do réu, todos os procedimentos semelhantes a este, instaurados contra Patrick, foram arquivados a pedido do Ministério Público.

    Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que , na ocasião, o caso foi registrado como exercício ilegal da medicina, arte dentária ou farmacêutica, falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto ou substância terapêutica ou medicinal, lesão corporal e perigo para a vida ou saúde de outrem.

    *Sob supervisão de Bruno Laforé