Escolas de Samba do Rio aceleram para deixar tudo pronto para o Carnaval

Agremiações têm 'plano B' para se apresentar em julho caso folia seja adiada em 2022

Pedro Duranda CNNLeandro Sant'anna

No Rio de Janeiro

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O trabalho nos barracões das escolas de samba do Rio de Janeiro para o carnaval 2022 já começou, e os carnavalescos fazem mistérios sobre o que está sendo montado para o público, ao mesmo tempo em que não sabem se os desfiles vão mesmo acontecer. Caso não aconteçam em fevereiro, a Liga das Escolas de Samba (Liesa) tem como plano B uma apresentação no sambódromo no mês de julho.

Os metais estão sendo soldados para a construção dos carros, mas ainda não dá para ter ideia do que vem por aí. “Os desenhos são segredo. A gente está guardando há quase dois anos. Assim como eu, todos os meus colegas estão guardando o segredo a sete chaves há mais de ano”, conta Alexandre Louzada, carnavalesco da Beija-Flor, à CNN.

Essa fase é importante para erguer as estruturas que vão cruzar a avenida e costuma ser feita no mês de setembro — mas, por conta das incertezas da pandemia, as escolas da cidade estão em média um mês atrasadas.

A Vila Isabel costura as fantasias, que ninguém sabe quando serão reveladas. Como a Liesa não quer entrar no sambódromo com o público pela metade, se a pandemia não estiver controlada até lá, a folia deve ficar para julho, explica o diretor de marketing Gabriel David.

“Eu diria que 90% de chances, talvez até mais, de acontecer em fevereiro. Digo isso com base nas conversas que a gente teve com o poder público, tanto na esfera estadual quanto na esfera municipal. É uma crença geral de que a gente vai ter um número grande da população vacinada em fevereiro, então já poderia acontecer nos moldes normais”, afirma.

Cada um dos 14 barracões da Cidade do Samba tem de 20 a 80 funcionários registrados. No pico da preparação para o carnaval, eles chegam a ter até 300 funcionários. “Para cumprir o projeto que a gente apresentou, a gente precisa trabalhar todo dia até 22h, 23h, e não tem jeito, trabalhando sábado, domingo, feriado, sem folga. É um ano excepcional, fora da curva”, diz o diretor de barracão da Vila Isabel, Moisés Carvalho.

Os ingressos estão esgotando conforme os lotes de venda são liberados. O valor varia: a meia entrada para arquibancada sai por R$ 85, e um camarote de 30 lugares pode custar R$ 96 mil.

Embora ainda não tenham a verba da Prefeitura, as escolas já começaram a receber os direitos de transmissão e os incentivos e transferências do governo do Estado, que, somando valores repassados e isenção de impostos a patrocinadores, deve investir mais de R$ 20 milhões nos desfiles do ano que vem. O resultado disso, nos cálculos da Fundação Getúlio Vargas, é um impacto de R$ 4,5 bilhões circulando na cidade ao longo dos dias de festa.

Isso traz alívio para quem vive do Carnaval em boa parte do ano, como o escultor Alex Salvador, vindo de Parintins, no Amazonas — cujo festival também foi cancelado pela pandemia. “Não tem uma fonte de trabalho para a gente lá, e agora você imagina, quase dois anos foi bem complicado. Agora é bola pra frente, se Deus quiser vai dar tudo certo”, comenta.

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