Fóssil de Pterossauro é repatriado e ficará em museu carioca

Após processo que durou mais de um ano, importante achado arqueológico brasileiro será exibido em Museu de Ciências da Terra, no Rio de Janeiro

Isabelle Resendeda CNN

no Rio de Janeiro

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Após um processo de repatriação que durou um ano e três meses, o fóssil do crânio de um Pterossauro ficará no Museu de Ciências da Terra, na cidade do Rio de Janeiro.

A peça, considerada um importante patrimônio arqueológico brasileiro, estava sob a custódia temporária da Bélgica, no Instituto Real de Ciências Naturais, e foi devolvido aos país neste fim de semana.

A repatriação do fóssil envolveu uma ampla rede jurídica que abrange as esferas nacional e internacional. Protegido pelo Código de Mineração Brasileiro e pela Convenção da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), que proíbem e impedem a importação, exportação e a transferência de propriedade ilícita de bens culturais, a negociação foi coordenada pelo Serviço Geológico do Brasil e o Ministério das Relações Exteriores.

O Pterossauro, descoberto na Bacia do Araripe, no Ceará, faz parte da classe de répteis voadores que dominaram os céus durante a Era Mesozoica, a chamada Era dos Dinossauros. O achado arqueológico foi exportado ilegalmente para a Europa.

A Chapada do Araripe é considerada a maior bacia sedimentar do interior do Nordeste brasileiro. Os depósitos sedimentares dessa região apresentam um grande potencial de recursos minerais e uma vasta riqueza fossilífera. É uma das três regiões fossilíferas mais importantes e bem preservadas do mundo, com registros de animais e plantas, incluindo dinossauros, que viveram na região há mais de 110 milhões de anos.

A área é constantemente alvo de ações de contrabandistas que agem no tráfico de fósseis. Um dos principais fatores apontados para o favorecimento do crime, segundo especialistas, é a ausência de fiscalização.

De acordo com a Polícia Federal, um grupo criminoso é investigado desde 2017 e seria responsável por manter um esquema de extração ilegal nas cidades de Santana do Cariri e Nova Olinda, localizadas na Bacia do Araripe.

Nesta terça-feira (8), a Polícia Federal fará a entrega de 21 fósseis para o Museu de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri (URCA), no Ceará. A restituição do material apreendido foi autorizada pela Justiça Federal. As peças foram apreendidas durante inquéritos da PF iniciados em 2011.

Os fósseis que foram contrabandeados são patrimônio da União e, portanto, proibidos de ser comercializados e de incalculável valor cultural e intelectual.

Em agosto de 2021, a Polícia Federal realizou a entrega de 237 fósseis para a URCA. As peças foram apreendidas durante a Operação Santana Raptor, em 2020.

Conheça o Museu dos Dinossauros de Peirópolis, em Minas Gerais

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