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    Grupo Petrópolis pede à Justiça para voltar ao comando de empresa de soja após operação policial

    Gestores do Grupo Imcopa foram afastados do cargo após decisão judicial

    Fachada de unidade da Imcopa no Paraná
    Fachada de unidade da Imcopa no Paraná Imcopa/Divulgação

    Da CNN

    O Grupo Petrópolis, que atua no ramo cervejeiro, pediu à Justiça do Paraná para retornar ao comando do Grupo Imcopa, especializado na industrialização de soja. O pedido foi realizado na manhã desta sexta-feira (8), um dia após a Polícia Civil realizar uma operação para apurar condutas ilícitas dos gestores da companhia que está em recuperação judicial desde 2013 com uma dívida estimada em R$ 3 bilhões.

    Uma decisão do Juízo Criminal determinou, na data de ontem, o afastamento de Fernando Lauria e Mauro Piacentini do comando da empresa.

    De acordo com a investigação policial, ambos atuariam como “laranjas”,  que teriam sido colocados na administração da Imcopa para ocultar a atuação de Renato Mazzuchelli e Ruy del Gaiso, agentes do mercado financeiro. Os dois são apontados como responsáveis por diversas fraudes e considerados estelionatários pela polícia.

    Na petição, os representantes legais da Minefer e da Triana, empresas do Grupo Petrópolis, argumentam que a ação da polícia comprova alegações já sinalizadas à Justiça pelos advogados do Grupo Petrópolis, de que os gestores do Grupo Imcopa estavam “praticando atos ilícitos com o intuito de obterem vantagens indevidas em prejuízo de credores”.

    “A investigação da Polícia Civil comprova, de uma vez por todas, o que já tinha sido trazido aos autos: quem administra a Imcopa de fato são os Srs. Ruy del Gaiso e Renato Mazzuchelli. As comunicações internas agora exibidas pela justiça criminal demonstram que os Diretores Estatutários (Fernando Lauria e Mauro Piacentini) não têm poder de gestão algum – submetem todo e qualquer tipo de decisão, por mais corriqueira que seja”, afirmam os representantes legais das empresas Minefer e Triana.

    Além disso, Walter Faria, dono do Grupo Petrópolis, também alega que os documentos obtidos na operação indicam que os administradores da Imcopa estariam desviando recursos liberados pelo judiciário para paraíso fiscal nas Ilhas Cayman.

    Ainda segundo os argumentos presentes na petição, com a decisão do Juízo Criminal no âmbito da Operação Cortina de Fumaça, deflagrada ontem, a empresa está “acéfala”.

    Diante de tais argumentos, os advogados do Grupo Petrópolis requisitaram à Justiça:

    • A imediata destituição de Mauro Piacentini e Fernando Lauria Nascimento da administração da Imcopa;
    • A transferência do controle societário do Grupo Imcopa para a Cervejaria Petropolis S.A.;
    • Autorização para que sejam nomeadas as pessoas indicadas por Minefer e Triana para administrar a Imcopa sem a convocação de assembleia geral de credores.

    Os pedidos serão analisados pela 1ª Vara de Recuperação Judicial de Curitiba.

    A CNN entrou em contato com a assessoria de imprensa do Grupo Imcopa e aguarda um posicionamento sobre os novos pedidos remetidos à Justiça paranaense.

    Em relação à operação deflagrada na quinta-feira, a empresa diz se tratar de “uma clara estratégia de intimidação, que será respondida pelos meios legais”.

    O comunicado diz ainda que “todas as empresas citadas e pessoas envolvidas no episódio sempre estiveram e permanecem à disposição da Justiça, com a qual vão colaborar para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários”.

    Histórico de disputa judicial

    Há mais de uma década, duas fábricas sediadas no Paraná pertencentes ao grupo Imcopa foram arrendadas ao empresário Walter Faria, dono do Grupo Petrópolis, que atua no ramo cervejeiro e produz a cerveja Itaipava.

    A gestora R2C teria captado dinheiro de bancos e de Faria para comprar créditos da Imcopa. O empresário cervejeiro acusa Ruy e Renato de golpe.

    No mês passado, a Justiça chegou a afastar a diretoria da Imcopa em ação movida por Faria, vítima das fraudes apuradas na operação de hoje. Dias depois, uma decisão do Tribunal de Justiça do Paraná reconduziu a Nuevo Plan5 ao controle da companhia.