Justiça de SP aceita denúncia e 12 PMs viram réus por mortes em Paraisópolis

Ação da Polícia Militar na favela de Paraisópolis resultou na morte de nove pessoas em dezembro de 2019

Imagens dos mortos durante operação da Polícia Militar na favela de Paraisópolis; operação Pancadão, realizada em 1º de dezembro de 2019, resultou na morte de nove jovens
Imagens dos mortos durante operação da Polícia Militar na favela de Paraisópolis; operação Pancadão, realizada em 1º de dezembro de 2019, resultou na morte de nove jovens Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

Carolina Figueiredo e Rafaela Lara, da CNN, em São Paulo

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A Justiça de São Paulo aceitou nesta quinta-feira (29) a denúncia contra 12 policiais militares acusados pelo Ministério Público de homicídio doloso e triplamente qualificado pela morte de nove jovens na favela de Paraisópolis, em 2019, durante uma ação em baile funk. Todos passam a ser considerados réus no processo.

Na decisão obtida pela CNN, o juiz Lui´s Gustavo Ferreira, do 1º Tribunal do Júri, intimou a Polícia Militar para que forneça em 15 dias o “Manual de Controle de Distu´rbios Civis”, a fim de esclarecer eventual dolo dos policiais no caso. 

Ao analisar o caso, o magistrado também ressaltou que a “denúncia assevera que os acusados ‘deliberadamente deixaram de observar regras mínimas para a contenção de distúrbios civis e dispersão de multidões’ e que ‘se omitiram em cumprir com as normas previstas no Manual de Controle de Distúrbios da Polícia Militar e nos Procedimentos de Operação Padrão da Polícia Militar'”.

O Ministério Público apresentou a denúncia à Justiça contra 13 policiais no dia 19. Desses, 12 foram denunciados por homicídio e um por colocar as pessoas em perigo com a explosão de um artefato.

Em 1° de dezembro de 2019, a Polícia Militar realizou a chamada Operação Pancadão, que tinha como objetivo interromper um baile funk que ocorria naquela noite. 

No entanto, de acordo com a promotoria, os policiais agrediram os participantes com golpes de cassetete, bastões de ferro e gás de pimenta. Um dos policiais é acusado de ter lançado um morteiro contra a multidão.

À época, vídeos e relatos dos moradores da comunidade, localizada na região do Morumbi, na zona sul de São Paulo, indicavam que os jovens foram encurralados em vielas, morrendo pisoteados e asfixiados durante o tumulto.

*Com informações da Agência Brasil 

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