Matrículas na educação básica caem pelo quarto ano consecutivo, diz Censo

Os resultados ainda não refletem a realidade da Educação durante a pandemia, pois a primeira fase de recolhimento de dados foi encerrada na suspensão das aulas

Aulas em 2020 foram dificultadas pela pandemia, mas Inep ainda não possui dados sobre este período
Aulas em 2020 foram dificultadas pela pandemia, mas Inep ainda não possui dados sobre este período Foto: Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo

Luana Franzão, Fernando Alves e Marília Ribeiro,

da CNN, em São Paulo

Ouvir notícia

Na manhã desta sexta-feira (29), o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) divulgou os resultados do Censo da Educação Básica do ano de 2020.

O dado obtido pela pesquisa que mais obteve atenção foi uma queda das matrículas no Ensino Básico entre o ano de 2019 e o de 2020. “No ano de 2020, foram registradas 47,3 milhões de matrículas nas 179,5 mil escolas deeducação básica no Brasil, cerca de 579 mil matrículas a menos em comparação com o ano de 2019, o que corresponde a uma redução de 1,2% no total”, afirmou o Inep em documento de apresentação dos dados.

Esta não é a primeira vez que os números apontam um afastamento dos estudantes das salas de aula: entre os anos de 2019 e 2018, a queda foi de 581.621 matrículas (cerca de 1,2%), entre 2018 e 2017, de 152.226 (cerca de 0,31%) e entre 2016 e 2017, de 209.386 (cerca de 0,42%). Os números reúnem dados de escolas das redes pública e privada.

A queda foi mais acentuada na rede privada do que na pública. Entre 2019 e 2020, foram realizadas cerca de 3,76% menos matrículas na rede privada, enquanto na rede pública este número ficou em 0,6%.

Os resultados da primeira fase, neste ano especificamente, foram colhidos mais cedo. A fase costuma ser concluída em maio, mas em 2020 foi encerrada em 11 de março, logo após o fechamento das escolas por conta da pandemia da Covid-19. Desta forma, os dados a seguir não representam as mudanças na educação durante a pandemia.

“A leitura das informações do Censo Escolar 2020 deve sempre ser realizada com cuidado, não sendo possível ainda observar o impacto da pandemia da Covid-19 nos dados educacionais coletados e, portanto, não é adequado interpretar eventuais alterações de estatísticas e indicadores aqui apresentados como sendo causadas pela pandemia”, afirmou o Inep no documento com os resultados da pesquisa.

“Com o resultado dos questionários da Segunda Etapa vamos ter informações de como as escolas lidaram com a pandemia. São informações muito importantes que serão detalhadas para poder avaliar como as escolas atuaram neste período e que depois serão essenciais para propormos políticas para superar os efeitos da pandemia”, disse Alexandre Lopes, presidente do Inep, em entrevista coletiva.

Representantes do órgão de pesquisa ainda afirmaram que a queda foi maior na Educação de Jovens e Adultos, onde a diminuição nas matrículas foi de 8,6%. “Enquanto tivermos jovens e adultos analfabetos o país vai estar com uma lacuna social”, disse Lopes.

O presidente ainda prosseguiu, explicando que a maior queda de matrículas se dá na transição para o Ensino Médio. Uma das medidas citadas por ele para amenizar esta evasão seria o ensino integral alinhado com novas perspectivas.

Alexandre Lopes finalizou a coletiva de imprensa agradecendo os colaboradores do Inep pelo trabalho desempenhado durante a pandemia.

O Inep também é responsável pela coordenação e criação das provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

 

Tópicos

Mais Recentes da CNN