Mercados globais operam em alta; no Brasil, há cautela com cenário fiscal

Mercado segue de olho nas tensões no Leste Europeu; no Brasil, inflação fecha janeiro com alta de 0,54%

Priscila Yazbekda CNN

Em São Paulo

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Os mercados operam em alta na manhã desta quarta-feira (9). No Brasil, investidores digerem os dados de inflação e de varejo publicados mais cedo pelo IBGE.

Começando pelo exterior, os futuros americanos abriram em alta, estendendo a recuperação de ontem, puxados por resultados de empresas acima do esperado.

O petróleo caiu mais de 2% na terça-feira (8) e continua caindo hoje, com os Estados Unidos dizendo que é possível vislumbrar um acordo nuclear com o Irã. A queda ajuda a aliviar um pouco do temor sobre inflação e alta de juros, contribuindo para a correção das bolsas.

A queda também ajuda a aliviar tensões do mercado a respeito da situação no Leste Europeu. A leitura do mercado é que o presidente francês Emmanuel Macron não fez milagres, mas conseguiu ganhar tempo.

Apesar disso, os investidores seguem cautelosos com a inflação ao consumidor nos EUA, que sai na próxima quinta-feira (10). A expectativa do mercado é de alta de 7,2% em janeiro, no ano contra ano, maior patamar em 4 décadas.

Com a previsão, taxas de títulos americanos seguem acima de 1,9% e impulsionam ações de bancos.

Na Europa, as bolsas sobem também embaladas pelos balanços fortes de quarto trimestre e recuperação nos mercados globais. As bolsas na Ásia também fecharam em alta acompanhando Nova York.

Brasil

A inflação para janeiro subiu 0,54% de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta manhã. Uma alta bem parecida com a expectativa do mercado, que esperava avanço de 0,55%.

O índice caiu em relação a dezembro, quando subiu 0,73%. Mesmo com a desaceleração, foi a maior para o mês desde 2016. Segundo o IBGE, o resultado foi influenciado, principalmente, por alimentação e bebidas.

Saíram também os dados do setor de varejo, que subiu 1,4% em 2021 quando comparado ao ano de 2020. O varejo ampliado, que inclui também veículos e materiais de construção subiu 0,3%, abaixo da expectativa do mercado que esperava uma alta de 0,7%.

A inflação se soma à ata do Comitê de Política Monetária (Copom) da última terça (8). O tom mais duro do Banco Central (BC) levou o mercado a prever que a taxa básica de juros – a Selic – não vai parar de subir na próxima reunião, em março.

A principal aposta é que a Selic suba um ponto em março e meio ponto em maio, indo para uma taxa terminal de 12,25%. Essa é projeção de bancos como Bank of America, JP Morgan e Barclays.

Na política, a pressão sob as contas públicas segue aumentando com a chamada “PEC Kamikaze” avançando após ganhar 21 assinaturas, acima do mínimo, mostrando forte apoio inicial à proposta.

No setor corporativo, o destaque é o julgamento do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre a venda Oi para Tim, Vivo e Claro.

Na véspera, o Bradesco divulgou seu balanço com uma queda de quase 3% no lucro do quarto trimestre, um pouco abaixo das expectativas do mercado. Já a XP fechou o quarto trimestre com alta de 51% no lucro na comparação anual.

O Ibovespa operava perto da estabilidade nesta manhã, com alta de 0,07%, aos 112.310 pontos, por volta das 10h30. Já o dólar subia 0,16%, cotado a R$ 5,2679.

Agenda do Dia

Além do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), tem fluxo cambial às 14h30 e julgamento do Cade. O balanço da Klabin deve sair ainda pela manhã.

Depois do fechamento da bolsa, deve ser divulgado o balanço da Suzano e o relatório de produção da Petrobras. Lá fora a agenda é mais vazia com dados de estoque do atacado e estoques de petróleo nos Estados Unidos.

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