Na contramão do Rio, Niterói endurece medidas restritivas contra a Covid

Mercados só podem vender alimentos e itens de higiene e limpeza; take away de bares e restaurantes é proibido

Foto: MICHEL FILHO/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO

Stéfano Salles, da CNN no Rio de Janeiro

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 Separadas pela Baía de Guanabara, Rio de Janeiro e Niterói anunciaram juntas, no ainda 22 de março, a adoção de medidas restritivas que incluíam o fechamento de serviços não essenciais. Mas, se a capital do estado flexibilizou as atividades a partir da última sexta-feira (9), a cidade vizinha prorrogou as medidas de até o dia 18 de abril e as tornou ainda mais rígidas. A informação está em um decreto assinado neste sábado pelo prefeito Axel Grael (PDT), publicado no Diário Oficial do Município.

A norma estabelece que “a saída da residência deve se dar apenas por motivos de trabalho, compra de gêneros alimentícios, ida a farmácias, por motivos médicos o para ida a estabelecimentos cujo funcionamento esteja permitido, por conta de atividade permitida”, diz um trecho da publicação. 

A entrada de táxis e veículos de aplicativos de outras cidades está proibida. Bares e restaurantes só poderão funcionar com serviços de delivery, e o take away, até então permitido, agora está vetado. Aulas presenciais só estão liberadas para a educação infantil. Missas, cultos e demais atividades religiosas podem ser realizadas de forma presencial, com até 10% da capacidade, até que ela atinja o máximo de 100 pessoas.

Axel Grael explicou a decisão: “Nós estamos vivendo o pior momento dessa pandemia, com número de óbitos chegando a níveis inesperados lá no início dessa crise. Não podemos esquecer que estamos passando por um momento muito difícil em Niterói. No momento, a taxa de ocupação nas UTIs públicas está em 82% e 90% nas privadas”, disse o prefeito.

O decreto determina a suspensão do atendimento presencial, de qualquer natureza, em bares, restaurantes do tipo bufê ou self-service, cafeterias e congêneres, boates, danceterias, salões de dança e casas de festa, museus, galerias, bibliotecas, cinemas, teatros, casas de espetáculos e salas de apresentação.  Os banhos de mar e de sol na orla seguem proibidos.

O mesmo vale para salões de cabeleireiro, barbearias, institutos de beleza, estética e afins, clubes sociais e esportivos, serviços de lazer, quiosques em geral, parques de diversões, temáticos e circos, academias de ginástica, lutas, danças, bancas de jornal.

Há também mais restrições para supermercados que, neste período só poderão vender produtos considerados essenciais, como alimentos e itens de higiene e limpeza. Na quarta-feira, o Hospital Oceânico, arrendado pelo município exclusivamente para pacientes com o novo coronavírus, atingiu 121 pacientes internados, o maior número desde o início da pandemia.

De acordo com o Painel Coronavírus Covid-19 da Secretaria de Estado de Saúde, a cidade tem 92% de taxa de ocupação de leitos de terapia intensiva e 83% nos de enfermaria para Covid-19. Segundo o Mapa de Risco por Município, a cidade está com bandeira roxa, a de mais alto risco para a doença.

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