Nizan Guanaes: na pandemia, comunicação tem que ir direto ao assunto

Na nona edição do programa 'O Mundo Pós-Pandemia', o empresário Nizan Guanaes aborda a criatividade como ferramenta para superar a crise

Paula Mariane

Da CNN, em São Paulo

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Na nona edição do programa “O Mundo Pós-Pandemia”, o empresário e CEO da Consultoria N Ideias Nizan Guanaes tratou da criatividade como ferramenta para superar a crise causada pelo novo coronavírus. 

Em conversa com as jornalistas da CNN Daniela Lima, Mari Palma e Thais Herédia e a comentarista Gabriela Prioli, Nizan também falou sobre a importância da comunicação e da solidariedade em tempos de pandemia e o que podemos fazer para nos adaptarmos a uma nova realidade.

Comunicação em meio à pandemia 

Em termos de comunicação, como é possível convencer, afinal, as pessoas a ficarem em casa?  Para o idealizador de diversas campanhas publicitárias de sucesso, as campanhas de comunicação devem ser objetivas em relação à gravidade da situação. “Covid-19 mata. A gente tem que ir direto para o assunto, em um bom português.”

Nesta situação, ele reforça que a simplicidade deve ser um dos pilares da comunicação. “As pessoas adoram fazer slogans que elas não vão repetir ou vão esquecer”, analisa.  

No programa, Nizan enfatizou que há equívocos de comunicação em nível global, passando por vários países, como China, Itália, Estados Unidos, Reino Unido e Brasil. “Essa crise tem sido exposta a um grande problema de comunicação, que vem desde a China, [sobre] como isso tudo começou.”

Ele continua: “a falta de comunicação chega na Itália, através de uma prefeitura que diz que os milaneses deveriam ir para a rua, e que Milão não podia parar. Depois, vai se estendendo com os EUA, e em vários governos, [a exemplo do governo de Boris] Johnson e até aqui [Brasil]”. 

“Equívocos de comunicação levaram milhares de pessoas à morte. Há boas frases, mas falta estratégia”, alerta. 

Divergências

Diante de discursos desalinhados entre as esferas governamentais, Nizan acredita que é preciso ouvir todos os lados das pessoas que estão enfrentando a crise causada pela pandemia. 

“Aqui tem duas pandemias se cruzando: a pandemia da saúde e a pandemia econômica”, alerta. 

Para ele, é necessário analisar, em conjunto, o cenário da saúde e da economia no país. “Empatia é você compreender e se colocar no sapato do outro. Acho que os dois lados que discutem esse assunto têm razão. Eles estão igualmente certos e igualmente errados”. 

Nizan declara que é a favor das pessoas permanecerem em suas casas, mas faz uma alerta para a questão da desigualdade e do amparo que as famílias recebem para que isso seja possível. 

“Eu sou um privilegiado. Estou fora da cidade, a minha casa tem jardim e piscina. Agora, você fazer com que uma pessoa fique em um cubículo ou em uma casa pequena, [isso vai ser] desafiador sob qualquer circunstância”. 

“Tem muita coletiva sobre como ficar em casa e pouca coletiva sobre os recursos e os auxílios que as pessoas vão ter para ficarem longe de seus negócios, [que estão] fechados”, afirma. “Acho que tem determinados setores da população que deveriam ganhar algum tipo de benefício para ficar em casa”. 

Aprendizado com a estratégia 

No momento em que há a necessidade de se reinventar diante da crise, Nizan entende que a criatividade deve se alinhar com boas estratégias. “Na hora da dificuldade, você tem que criar circunstâncias para liderar”.

“Quando você diz que 50% das pessoas ficaram em casa, já é um negócio impressionante. Só que existe uma tarefa muito complexa, de atingir mais do que isso. Para isso, você tem que fazer algo fora da caixa”.  Neste caso, Nizan afirma que é necessário pensar em uma solução conjunta: além da publicidade, o empresário defende a criação de uma estratégia de comunicação coordenada com o Ministério da Saúde e as secretarias. 

Em termos de prevenção, o empresário compara a questão a um “protocolo”. “Como eu tive [Covid-19], eu sei exatamente o que fazer e o que não fazer. É quase um protocolo de saúde que você tem que fazer pra se proteger e proteger as pessoas que você ama”.  

 

Posicionamento de marcas

De acordo com Nizan, empresas que se posicionaram durante a pandemia terão um lugar “especial no coração das pessoas”. “Não é hora de as marcas pensarem em vendas, as marcas têm que pensar em ‘bonding’ com o consumidor”. O termo “bonding”, que significa ligação em inglês, se refere ao processo no qual um envolvimento emocional é desenvolvido. 

“O que você fez por mim nesta crise?” Para ele, esta vai ser a grande pergunta que será feita pelos consumidores para as marcas.

Solidariedade

Em meados de 2014, o empresário Nizan colocou uma árvore de Natal no seu local de trabalho. Na época, em meio à uma crise econômica, ele quis lembrar que ainda havia esperança. Emocionado, ele traz a mesma mensagem para o cenário atual. “Vai ter Natal, vai ter uma saída. A vocês, jornalistas, peço que nos levem a realidade, mas também esperança”, disse.

Além dos jornalistas, ele também faz uma referência aos médicos, políticos e demais profissionais. “Todos nós temos que nos comportar como atividade essencial. Só vamos sair dessa história nos comportando assim”.

Questionado se a solidariedade seria passageira ou criaria vínculos em nossa sociedade, Nizan acredita que não há outro caminho a não ser esse. “Quem vai ser passageira é a raça humana se ela não se adaptar à solidariedade. Nosso modelo de negócios não tem jogo, onde 50 famílias têm mais dinheiro do que todo o resto da humanidade”. 

Ele também relembrou os feitos de Winston Churchill, considerado um dos maiores estadistas da história: “cada um de nós agora tem que ser estadista. Cada um de nós têm que deixar de lado aquilo que a gente acredita [crenças individuais] para nos ajudarmos como raça humana”, diz. 

“Nós somos humanos, brasileiros, a gente tem que trabalhar em cooperação”, conclui. 

 

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