Polícia ouve esta semana pais de crianças baleadas em Duque de Caxias

Delegado Uriel Alcântara confirmou à CNN que ouviu cinco policiais militares que atuaram na região de onde partiram os tiros que mataram as crianças

Thayana Araújo e Cleber Rodrigues da CNN, no Rio de Janeiro 

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A Polícia Civil do Rio de Janeiro confirmou que vai ouvir os pais das meninas de 4 e 7 anos que morreram atingidas por tiros na cidade de Duque de Caxias, região metropolitana do estado.

Os depoimentos dos familiares foi adiado para essa semana em respeito ao velório e sepultamento das crianças. Os parentes das crianças fizeram uma manifestação neste domingo (6) e, apesar da aglomeração, o clima foi de dor e comoção. Cartazes foram utilizados para expressar a revolta e cobrar a investigação do caso.

O delegado Uriel Alcântara, da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, confirmou à CNN que ouviu cinco policiais militares que atuaram na região de onde partiram os tiros que mataram as crianças.  

Todas as armas dos policiais que faziam patrulhamento no local, na hora em que os disparos foram feitos, foram apreendidas e encaminhadas para a perícia. 

Não está descartado um confronto balístico para saber se os tiros partiram de algumas dessas armas, mas o delegado informou que essa etapa é prematura sem antes ouvir a versão da família das vítimas.

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Emily Victória Silva dos Santos e Rebeca Beatriz Rodrigues dos Santos
As primas Emily Victória Silva dos Santos e Rebeca Beatriz Rodrigues dos Santos
Foto: CNN Brasil

Emily Victória Silva dos Santos e Rebeca Beatriz Rodrigues dos Santos morreram na noite de sexta-feira (4) atingidas por tiros e a investigação apura se os disparos foram feitos por policiais ou criminosos. 

Procurada, a Polícia Militar nega operação no local e deu a versão oficial de que uma equipe do Batalhão de Duque de Caxias ouviu barulho de tiros na região, mas sem saber a localização exata dos disparos seguiu o patrulhamento normal.

Ainda segundo a PM, houve a comunicação de que duas pessoas baleadas foram levadas para uma Unidade de Pronto Atendimento do município. Os policiais foram até o hospital e descobriram que as vítimas eram duas crianças.

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro disse que as crianças já chegaram na unidade de saúde sem vida.

As duas meninas vítimas fazem parte agora de uma triste estatística feita pela plataforma Fogo Cruzado. Segundo levantamento, 22 crianças (até 12 anos) foram baleadas este ano na região metropolitana do Rio de Janeiro, sendo que oito morreram.

A ONG Rio de Paz, como forma de homenagear as mais recentes vítimas da violência, depositou flores nas placas como os nomes da Rebeca e da Emily pregadas na Lagoa Rodrigo de Freitas junto a outras crianças mortas pela violência no Rio.  

O Supremo Tribunal Federal determinou desde agosto deste ano a suspensão das incursões policiais em comunidades no estado enquanto durar o estado de calamidade pública decorrente da pandemia da Covid-19 e restringiu as operações aos casos excepcionais, que devem ser, ser informados e acompanhados pelo MP-RJ.

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