Variante Delta progride mais rápido que Gamma no Brasil, mas não é a dominante

Variante Delta da Covid-19 foi encontrada em 21.5% das amostras analisadas em julho, aponta a Rede Genômica Fiocruz

A técnica de enfermagem Dulcinéia da Silva Lopes, 54 anos e Teresinha da conceição, 80 anos: as duas primeiras vacinadas no Rio de Janeiro (18.jan.2021)
A técnica de enfermagem Dulcinéia da Silva Lopes, 54 anos e Teresinha da conceição, 80 anos: as duas primeiras vacinadas no Rio de Janeiro (18.jan.2021) Foto: CNN Brasil

*Elis Barreto, da CNN, no Rio de Janeiro

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A variante Delta (B.1.617.2) do novo coronavírus avança no Brasil mais rapidamente que a variante Gamma (P.1). Descoberta inicialmente em Manaus no mês de dezembro de 2020, a P.1 esteve presente em 11.6% das amostras sequenciadas no Brasil naquele mês. Em janeiro, quando o estado do Amazonas sofreu um colapso na saúde, a variante já representava 23.6% das amostras.

Ou seja, dobrou a frequência em apenas um mês, segundo dados da Rede Genômica Fiocruz.
Em junho deste ano, quando a Delta foi identificada inicialmente no país, ela correspondia a 2.3% dos casos confirmados da doença. Já em julho, a variante constituiu 21.5% das amostras, um crescimento de mais de nove vezes de um mês para o outro.

 

Apesar da disseminação mais gradual, a P.1 ainda é a variante dominante no Brasil, presente em pelo menos 67% dos sequenciamentos feitos no mês de julho. Durante o mês de junho, a variante chegou a apresentar predominância em 87% das amostras.

A pesquisadora do Laboratório Nacional de Computação Cientifica (LNCC), Alessandra Lamarca, explica que algumas variáveis devem ser levadas em consideração antes de qualquer conclusão.

“O mês de identificação da variante, por exemplo, não é o mês que ela entrou no país. Acreditamos que a Gamma devia estar em circulação desde agosto, mais ou menos. Outro ponto é o volume de sequenciamentos feitos, a partir de janeiro, depois da explosão da P.1, a gente passou a sequenciar mais.” explica a cientista.

Recentemente, um estudo de pesquisadores ligados à Organização Mundial de Saúde (OMS) e ao Imperial College constatou, por exemplo, que a variante Delta tem transmissibilidade 97% maior do que a cepa original do coronavírus, que teve origem na China. Segundo pesquisadores, esse também seria um fator para a maior frequência da variante, já que ela se dissemina mais facilmente.

Entretanto, não há estudos que indiquem uma maior taxa de letalidade da cepa. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, a taxa de letalidade da variante é de 5%.

*sob supervisão de Helena Vieira

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