Você já ouviu um negro hoje?

Não é estranho observar que negros são maioria mas eles simplesmente não aparecem em quantidade dentro de salas de aula ou em boas oportunidades de emprego?

Manifestante segura cartaz com rosto de George Floyd durante protesto em Nova York
Manifestante segura cartaz com rosto de George Floyd durante protesto em Nova York Foto: Caitlin Ochs/Reuters (3.jun.2020)

Basília Rodriguesda CNN

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O racismo, que asfixia, se espalha pelo mundo, assim como no Brasil, todos os dias.

Essa pandemia não é de agora, mas estamos diante de uma oportunidade de falar dela e conseguir fazer com que mais pessoas se livrem.

Ar é o tipo de coisa que a gente não vê; negros em ambientes elitizados, ou de um nível escolar melhor, também. Essa completa invisibilidade está aí para quem quiser ver. Mas nem todo mundo quer e, ao contrário do ar, é isso que mata.

Não é estranho observar que negros são maioria, mas eles simplesmente não aparecem em quantidade dentro de salas de aula, em boas oportunidades de emprego ou do lado do balcão que pede e não, somente, do lado que serve?

Nem as máscaras atrapalham a visão. 

A consciência negra não se confunde com consciência humana porque a humanidade nunca teve consciência do que é racismo. Tampouco, não é toda sociedade vítima de preconceito e da falta de privilégios.

Há algo errado. Muito errado, tanto em ouvir somente brancos sobre racismo quanto querer ouvir os negros somente sobre racismo.

Os negros, assim como os brancos, são plurais, também no seu conhecimento. Nem todos os negros gostam de falar de racismo, ao mesmo passo que racismo não é o único assunto a ser tratado pelos negros.

Hoje, o dia é de olhar para isso. Mas e daqui a um mês? Você verá mais negros? E ouvi-los?

Ao falar de um homem negro que morre, todo negro (e muitos brancos) se coloca no lugar dele, de cabeça no chão e pescoço esmagado por um joelho. Inevitavelmente, esse sentimento é acrescido por narrativas próprias sobre outras situações que também servem para tirar a voz, o espaço ou a vida de um negro.

Colocar isso para fora acaba liberando um sopro forte dos pulmões, um grito de liberdade, uma autorreflexão para negros e brancos não deixarem as coisas serem como são hoje. E que essa mudança não tenha limites.

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