Após atrito com Senado, Planalto chama reunião para discutir vetos presidenciais

Nova estratégia do Executivo visa discutir uma forma de diminuir a resistência do Congresso aos vetos feitos pelo presidente Jair Bolsonaro em projetos de lei

Bárbara Baião Da CNN, em Brasília
16 de julho de 2020 às 18:38 | Atualizado 16 de julho de 2020 às 19:02

Em um novo gesto para melhorar a articulação política, o Palácio do Planalto convocou líderes e vice-líderes do governo na Câmara e no Senado para uma reunião conjunta com o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos.

O encontro, agendado para a próxima terça-feira (21) é o primeiro desse teor e marca uma nova estratégia do Executivo para discutir uma forma de diminuir a resistência do Congresso aos vetos feitos pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em projetos de lei sancionados recentemente. 

Entre os mais controversos, estão a prorrogação, até dezembro de 2021, da desoneração da folha de pagamento para 17 setores intensivos de mão de obra, e ao menos 8 itens retirados do novo marco legal do saneamento.

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Fontes que acompanham as conversas admitem que há margem para o governo fechar um entendimento com os partidos que pode até resultar na derrubada de trechos considerados mais sensíveis dentro do Congresso.

Um deles, dentro do projeto do saneamento, é o artigo que autorizava a prorrogação dos contratos vigentes por mais 30 anos. Em sessão na quarta-feira (15) o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, disse que o Executivo não respeitou o acordo que foi construído com os líderes partidários sobre o assunto. 

“A bancada do governo no Congresso segue negociando pautas importantes para o país e essa reunião é uma etapa disso”, disse o líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes. 

Internamente, o governo vem tratando a votação de vetos como um teste de fogo das negociações pela formação de uma base aliada no Legislativo. Desde que as conversas com siglas como PP, PL, Republicanos e PSD se intensificaram, em meados de abril, deputados e senadores ainda não se reuniram para uma sessão conjunta. 

Na semana passada, para acomodar mais partidos de centro nos cargos de vice-líderes na Câmara, efetuou quatro mudanças, cedendo espaço para PSC, Podemos e PTB.