Queiroga precisa da autonomia que Paulo Guedes já teve, diz Renan Filho

Governador do Alagoas defende que é fundamental 'fazer funcionar o Ministério da Saúde'

Gregory Prudenciano, da CNN, em São Paulo
24 de março de 2021 às 22:28 | Atualizado 24 de março de 2021 às 22:33

O governador do Alagoas, Renan Filho (MDB), defendeu que o novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, receba do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) autonomia semelhante à dada pelo presidente ao ministro Paulo Guedes, da Economia, no início do governo. A declaração de Renan Filho aconteceu em entrevista concedida aos colunistas da CNN William Waack e Thais Arbex. 

"Disse hoje ao presidente Jair Bolsonaro, na reunião, e senti que ele concordou, mesmo sem verbalizar, que a gente precisa, na Saúde, da autonomia que o ministro Paulo Guedes teve no início do governo com a economia", afirmou Renan Filho. 

Questionado sobre a iniciativa do presidente Bolsonaro de criar um comitê para direcionar o combate à pandemia, Renan Filho disse que "antes de criar organizações e instâncias novas, acho fundamental fazer funcionar o que existe, e neste caso é fazer funcionar o Ministério da Saúde. Esse deve ser o foco do governo federal no momento". 

Renan Filho reconheceu que Bolsonaro está em meio a uma "tentativa de mudança de rumo" no que diz respeito à pandemia, mas afirmou que o movimento não parece ser suficiente.

O governador disse que o presidente agora defende a vacinação, mas "não topa avançar em outros temas importantes, como ampliação da rede hospitalar, medidas de distanciamento social e ser um entusiasta do uso de máscatas". 

Comentando o recado deixado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) ao governo federal, Renan Filho disse que o Congresso Nacional está "há tempos" tentando dialogar com o governo, mas que agora a paciência está acabando. 

Sem citar o nome do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, Renan Filho defendeu que o Brasil "precisa de um esforço coordenado de diálogo internacional" e de um Itamaraty "que coloque o Brasil na vanguarda da disputa por vacinas".