Fábio Faria nega que governo tente alinhamento político com as Forças Armadas

Nesta terça-feira (30), comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica deixaram os cargos

Gregory Prudenciano, da CNN, em São Paulo
30 de março de 2021 às 17:03 | Atualizado 30 de março de 2021 às 19:04

Em entrevista à CNN na tarde desta terça-feira (30), o ministro das Comunicações, Fábio Faria, afirmou que as mudanças nos comandos das Forças Armadas não constituem intenção de alinhar politicamente o governo federal e os militares. Faria disse que a relação do presidente Jair Bolsonaro com os militares é como o convívio em família. "É óbvio que até numa relação familiar há algum tipo de conflito, isso é normal", comentou. 

"Não tem nenhuma mudança de postura em relação às Forças Armadas, queria deixar isso bem claro", enfatizou Faria. "O presidente é militar, a relação dele com os militares é muito próxima. É um grupo bastante unido, e vejo hoje a ala militar bem próxima do presidente", disse. 

Na segunda-feira (29), o presidente confirmou seis mudanças em ministérios, incluindo o Ministério da Defesa, o que acabou levando à demissão dos três comandantes das Forças Armadas, conforme a pasta anunciou nesta terça-feira (30), em nota.

De acordo com Faria, o ex-ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, era amigo de Bolsonaro e preservava uma "boa relação" com o presidente. Agora, está conduzindo uma "transição harmônica" para o novo chefe da pasta, o também general Walter Braga Netto, que desde fevereiro do ano passado comandava a Casa Civil. 

"O Braga Netto é um ministro da Defesa mais moderno, como se fosse mais novo. O Braga Netto tem uma relação muito boa com as Forças Armadas e provavelmente irá escolher comandantes que são mais modernos ou que são da mesma geração dele", disse Faria, que afirmou ter conversado com o ministro antes da entrevista e trouxe dele alguns recados. 

Um deles foi a negativa de que tenha ocorrido algum desentendimento na reunião com os comandantes das Forças Armadas ocorrida nesta terça-feira (30) e que antecedeu a nota que confirmou a demissão dos três. "Foi uma reunião altamente calma, tranquila, serena", disse Faria, citando Braga Netto. O outro recado foi a reafirmação de que a mudança na Defesa não significa qualquer interferência política nas Forças Armadas. 

"Ele mandou dizer que vai escolher [os novos comandantes] dentre os mais antigos, e isso já pacifica, vai ser de uma forma bem tranquila. O recado é bem claro: não existe nenhuma mudança de postura em relação a esse tratamento com as Forças Armadas, até porque o presidente é capitão, o vice-presidente é general, há vários militares em funções importantes do governo. Não existe nenhuma animosidade, pelo contrário", reforçou o ministro das Comunicações.

'Novas peças no tabuleiro'

O ministro defendeu também que as mudanças feitas pelo presidente Jair Bolsonaro nos ministérios foram "estratégicas" e acabaram sendo bem recebidas pelo Congresso Nacional "e por parte da sociedade". Para Faria, o presidente não fez uma reforma ministerial, mas "resolveu mudar algumas peças no tabuleiro".

A troca ministerial que mais teria agradado aos parlamentares, de acordo com Faria, aconteceu na Secretaria de Governo, antes ocupada por Luiz Eduardo Ramos, que acabou transferido para a Casa Civil.

A nova ministra, a deputada federal Flávia Arruda (PL-DF) é próxima do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Segundo o ministro das Comunicações, a nomeação da deputada "gerou uma euforia" no Congresso. A nomeação de Arruda é interpretada por Faria como um "gesto de proximidade para com o Congresso, uma boa sinalização".

A troca de Ernesto Araújo pelo embaixador Carlos Alberto Franco França no comando do Ministério das Relações Exteriores significou, na perspectiva de Fábio Faria, a substituição por um nome "ponderado" e que conta também com a confiança dos parlamentares mais alinhados com o presidente Jair Bolsonaro. Para Faria, França é "um conciliador". 

O novo chanceler, disse Faria, terá a missão de pleitear vacinas e insumos para produção de imunizantes com os outros países. Além disso, caberá a ele fazer a defesa do agronegócio brasileiro.