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    8 de janeiro: “Encontrei uma tropa atordoada e sem comando”, diz Ricardo Cappelli à CNN

    O secretário-executivo do Ministério da Justiça conta que a decisão de prender os manifestantes somente no dia seguinte aos atos foi correta

    Thais ArbexJussara SoaresRenata AgostiniLeonardo RibbeiroGabriel Garciada CNN

    Brasília e São Paulo

    O secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Cappelli, afirmou à CNN que a prisão dos envolvidos na invasão às sedes dos Três Poderes somente no dia seguinte aos ataques foi uma decisão acertada.

    “Os fatos acabaram demonstrando que foi correto ter feito no dia seguinte, porque se nós tivéssemos feito as prisões naquela noite existia um risco de enfrentamento. No dia seguinte, pela manhã, desmontamos o acampamento com o apoio do Exército”, disse.

     

    A declaração faz parte de entrevista ao especial da CNN sobre os ataques de 8 de janeiro. A série de reportagens será exibida ao longo da próxima semana.

    Nomeado interventor da segurança pública do Distrito Federal pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Cappelli contou que recebeu a missão com surpresa.

    O momento grave exigia ação imediata. O interventor seria o ministro Flávio Dino. O presidente chegou a redigir um decreto, nomeando ele o interventor, porém poucos minutos antes do presidente assinar o decreto, o ministro se lembrou que já tinha sido diplomado senador, e que a constituição veda que ele, como senador, assuma qualquer outro cargo que não seja de ministro de Estado

    Ricardo Cappelli

    Cappelli diz que, após assumir a função de interventor, encontrou “uma tropa atordoada e sem comando”. “Tivemos no dia 8 um ataque às instituições democráticas e 44 PMs feridos. Houve uma sucessão de erros. Fica claro que houve uma falha no comando, se foi intencional ou não tem um inquérito para chegar a essa resposta”, lembrou.

    Ainda de acordo com o secretário-executivo, houve momentos de tensão com a cúpula da Polícia Militar e com o representante do Exército.

    “Chamei o coronel Fábio Augusto, comandante da PM, e disse para ele: ‘prepare a tropa que vamos entrar e prender todos que estão no acampamento’. O comandante ficou bastante nervoso e se afastou de mim. Passados alguns minutos ele voltou e disse: ‘interventor, o general Dutra, comandante militar do planalto, quer falar com o senhor. Eu disse ao comandante da PM: ‘eu tenho uma missão e vou cumprir a minha missão e não vou sair daqui’. […] Passados alguns minutos o general Dutra chegou tivemos uma discussão dura e respeitosa, ele tinha uma lógica de relativizar e minimizar o que tinha acontecido”.

    Questionado sobre a responsabilidade do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República na invasão ao Palácio do Planalto, Cappelli reconheceu que houve falhas. Mas relativizou a participação do então ministro da pasta, o general Gonçalves Dias.

    “Houve falha no GSI, sim. Ninguém entra na Presidência, da forma que entrou, se não tivesse ocorrido uma falha. Agora é importante registrar que o G Dias estava no GSI há apenas 5 dias úteis. A equipe que estava lá no dia oito ainda era majoritariamente a equipe que tinha sido montada pelo general Heleno [ministro do GSI no governo de Jair Bolsonaro]”, completou Cappelli.