Aliados de Lula veem espaço para conversas com Rodrigo Garcia e Eduardo Leite

O entendimento é o de que Rodrigo, apesar de ter a máquina na mão, precisa se associar à disputa presidencial para deslanchar na corrida ao Palácio dos Bandeirantes

O governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (à esq.) e o ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite, ambos do PSDB
O governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (à esq.) e o ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite, ambos do PSDB Fotos: Aloisio Mauricio/Fotoarena/Estadão Conteúdo e Donaldo Hadlich/Código19/Estadão Conteúdo

Thais Arbex

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A consolidação do cenário de uma disputa presidencial polarizada entre o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem estimulado aliados do petista a defenderem movimentos mais ostensivos na intenção de conquistar apoios para Lula no primeiro turno.

Nesse cenário, segundo relatos feitos à CNN, nomes do PSDB estão no alvo da articulação. Os principais deles: o governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, candidato à reeleição; e o ex-governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. A ideia da movimentação não é, claro, a de fechar aliança formal com o partido, mas sim conquistar declarações desses personagens.

À CNN, os articuladores desses movimentos disseram, em caráter reservado, que Lula foi consultado sobre o assunto e que, embora não enxergue possibilidade de Rodrigo e Leite fazerem um gesto em direção a ele, o ex-presidente não se opôs à ideia.

Quem defende as conversas com os tucanos diz que, em São Paulo, por exemplo, Rodrigo poderia se beneficiar de uma eventual declaração de apoio a Lula. A avaliação é a de que o governador está hoje espremido entre as candidaturas de Fernando Haddad (PT) e de Tarcísio de Freitas (Republicanos), ex-ministro de Bolsonaro.

O entendimento é o de que Rodrigo, apesar de ter a máquina na mão, precisa se associar à disputa presidencial para deslanchar na corrida ao Palácio dos Bandeirantes.

A descrença de Lula e de outros aliados do petista, porém, é baseada no fato de que o atual governador conversa muito mais com o eleitor de centro-direita e que não faria sentido ele pensar num momento em direção ao PT.

Durante a conversa, no entanto, um dos participantes lembrou que há alguns meses ninguém imaginaria que Geraldo Alckmin (PSB) poderia ser candidato a vice de Lula.

Apesar do ceticismo, os movimentos devem ser levados adiante. Aliados de Lula ouvidos pela CNN disseram que as conversas ficarão a cargo de Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, e Márcio França, pré-candidato do PSB ao governo de São Paulo.

Hoje, lideranças políticas paulistas dizem que o melhor cenário para Rodrigo seria, de fato, a retirada da candidatura de França ao Palácio dos Bandeirantes e sua ida para a disputa ao Senado. É justamente por conta desse cenário que aliados de Lula enxergam espaço para diálogo com o atual governador.

Paulinho da Força e França, que são conhecidos por seus perfis de amplo diálogo com diversas matizes políticas, também podem ajudar com a missão de procurar outros personagens considerados chaves pela campanha petista: Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, e Renata Abreu e Álvaro Dias, do Podemos.

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A CNN realizará o primeiro debate presidencial de 2022. O confronto entre os candidatos será transmitido ao vivo em 6 de agosto, pela TV e por nossas plataformas digitais

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