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    Anderson Torres pede a Moraes direito ao silêncio na CPMI do 8 de janeiro

    Ex-ministro também quer garantia de que não será obrigado a falar sobre minuta do golpe

    Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança pública do Distrito Federal
    Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança pública do Distrito Federal Valter Campanato/Agência Brasil

    Lucas Mendesda CNN

    A defesa do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Anderson Torres pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira (4) que seja garantido a ele o direito ao silêncio durante depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de janeiro, no Congresso.

    A oitiva está agendada para terça-feira (8). Torres foi convocado pelo colegiado para falar na condição de testemunha.

    VÍDEO — CPMI do 8/01 quebra sigilos de Torres, Cid e militares

    O pedido dos advogados de Torres foi enviado ao ministro Alexandre de Moraes, no inquérito que investiga suposta omissão das autoridades do Distrito Federal nos atos criminosos de 8 de janeiro.

    A defesa argumentou que, na verdade, Anderson Torres deveria ter sido convocado na condição de investigado, já que ele é um dos alvos do inquérito cujo tema é o mesmo da CPMI.

    Também disse que o ex-ministro quer comparecer ao depoimento “imbuído do espírito cooperativo que lhe é inerente” e por ser o “maior interessado no esclarecimento dos fatos”.

    Os advogados pedem ainda a Moraes que Torres seja desobrigado de falar de assuntos relacionados a três apurações que tramitam em sigilo. Segundo os representantes do ex-ministro, são eles:

    • Envio de senhas erradas de conta de e-mail e dados em nuvem a investigadores da Polícia Federal;
    • Minuta de decreto de Estado de Defesa, também conhecida como “minuta do golpe”;
    • Operações da PRF no segundo turno das eleições de 2022.

    Segundo a defesa, o objetivo é evitar o cometimento do crime de divulgar informações sigilosas ou reservadas.

    Assim, foi citada a convocação à CPI da Câmara Legislativa do Distrito Federal, que também apura os atos antidemocráticos de 8 de janeiro, em que Moraes reconheceu a condição de investigado de Torres.

    “Por consectário lógico, que o mesmo tratamento seja dispensado à convocação levada a efeito pela CPMI do Congresso Nacional, na medida em que os fatos investigados em ambas as Comissões Parlamentares se descortinam absolutamente idênticos”, disse a defesa.

    Preso em janeiro no âmbito das investigações sobre os ataques de 8 de janeiro, Torres deixou a prisão em maio, por decisão de Moraes.

    O magistrado determinou o cumprimento de uma série de medidas, como uso de tornozeleira eletrônica, proibição de ausentar-se do Distrito Federal, recolhimento domiciliar no período noturno e nos finais de semana, afastamento imediato do cargo de delegado da Polícia Federal, cancelamento de passaportes e proibição de usar redes sociais.