Após saída de Doria, ex-presidente nacional do PSDB diz que irá defender nova candidatura

Para José Aníbal, nomes da vez são os de Eduardo Leite e Tasso Jereissati. Manifestação expõe incertezas do ninho tucano que tem aliança com o MDB de Simone Tebet

Senador José Aníbal é ex-presidente do PSDB
Senador José Aníbal é ex-presidente do PSDB CNN Brasil (22.nov.2021)

Basília Rodrigues

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O ex-presidente do PSDB, senador José Aníbal (SP), afirmou à CNN que vai defender uma nova candidatura tucana à presidência da República no lugar da de João Doria. “Agora vou defender que tenhamos candidato. E devemos continuar a conversa com Simone [Tebet] e o MDB. Também com outras forças políticas”.

Neste cenário, Tebet perderia o posto de cabeça de chapa e o PSDB teria candidatura própria. Dois nomes estão entre os mais apontados, o do ex-governador gaúcho Eduardo Leite e o do senador Tasso Jereissati. “Não acredito em novas prévias. Temos dois nomes muito qualificados. Tasso e Leite”, ressaltou.

Junto a um grupo de ex-presidentes da legenda, Aníbal desde o início do processo de escolha interna esteve com Leite e não com Doria.

O termômetro das pesquisas eleitorais que davam no máximo 4% de intenção de votos para João Doria foi fatal para o desembarque de apoiadores da campanha do ex-governador paulista. Com ou sem candidato, o PSDB teme sair menor do que entrou nestas eleições. Atualmente o partido forma a nona maior bancada na Câmara, com cerca de 20 deputados federais, ficando atrás de legendas como PT e PL, dos presidenciáveis Lula e Bolsonaro. Há muita preocupação com a possibilidade de eleger uma bancada menor para 2023.

Para o ex-senador Aloysio Nunes, “a terceira via veio para guilhotinar a candidatura de Doria”. Na avaliação do tucano, a aliança com os outros partidos acabou se transformando em um tiro no pé para o PSDB. “Ele fez a coisa certa. Como poderia ser candidato por um partido que o rejeita? Brandindo uma liminar?”, afirmou sobre o movimento de Doria em acenar com a possibilidade de judicialização da escolha, dias antes de anunciar a retirada da pré-candidatura. Na semana passada, Nunes havia dito que a candidatura de Doria era inviável e que apoiaria o nome de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A saída do ex-governador de São Paulo da disputa ao Planalto também foi marcada por críticas de opositores dentro do partido. “A rejeição dele provocada por erros que ele mesmo cometeu o levou a isso. Mas será reconhecido como um grande governador e mau político”, afirmou à CNN, o prefeito de Ribeirão Preto, Duarte Nogueira.

Oficialmente, o debate sobre a composição da terceira via ainda não está concluído. Após o anúncio da desistência de Doria, o presidente do PSDB, Bruno Araújo, disse que a decisão do ex-governador demonstra que ele não colocou seu projeto pessoal acima dos interesses do país. Indicou também que será dada continuidade à coligação com MDB e Cidadania. Ele sinalizou que o PSDB deve indicar um candidato a vice para a chapa, que deve ser encabeçada por Tebet. Nesta terça-feira (24), os dirigentes das três legendas devem se reunir para debater o tema.

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