Bancada agropecuária fala em superar pandemia ‘de mãos dadas’ com a China

Iuri Pittada CNN

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) enviou carta à Embaixada da China no Brasil nesta segunda-feira (30), na qual afirma que os dois países vão superar “de mãos dadas” a pandemia do novo coronavírus.  

A bancada, que soma mais de 300 deputados, diz ter recebido com alegria a manifestação da diplomacia do país asiático, na qual consta que “qualquer tentativa de difamar a China e minar a fraternidade China-Brasil, seja quem for seu autor, seja como for a sua forma, serão fracassadas” e repudia “ilações e ataques contra um dos parceiros mais importantes da última década para nosso desenvolvimento”. 

O texto leva a assinatura do presidente da FPA, deputado Alceu Moreira (MDB-RS), e é mais uma manifestação em consequência da postagem do dia 18 feita pelo também deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), terceiro filho do presidente Jair Bolsonaro, na qual comparou a pandemia do coronavírus ao acidente nuclear de Chernobyl e afirmou que “a culpa é da China e liberdade seria a solução”. Em seguida, uma onda de publicações com a hashtag #viruschines tomou as redes sociais no Brasil. 

O post foi rebatido pela diplomacia chinesa e pelo próprio embaixador Yang Wanming, que viram xenofobia no conteúdo, e desencadeou tanto pedidos de desculpas da parte de políticos brasileiros quanto apoios ao posicionamento do deputado paulista. Seis dias após a crise diplomática, Bolsonaro conversou por telefone com o presidente da China, Xi Jingping, ao lado da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, entre outros. 

Oposição a qualquer ameaça à relação bilateral

Eduardo Bolsonaro defendeu direito de criticar China por coronavírus
Eduardo Bolsonaro disse que a prerrogativa da imunidade parlamentar lhe permite criticar a atuação da China diante da pandemia de coronavírus
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

 

O setor agropecuário brasileiro é um dos que mais têm relações comerciais com a China, maior parceiro do país no comércio exterior. A crise diplomática aumentou as preocupações dos produtores agrícolas no Brasil, já impactados pela queda da atividade econômica mundial provocada pela pandemia. 

“Superaremos a pandemia de mãos dadas, conforme acordado em conversa realizada entre o governo federal e o presidente Xi Jinping, acompanhada pela nossa eficiente ministra da Agricultura, Tereza Cristina, responsável por avanços significativos na abertura do mercado brasileiro”, diz o texto da FPA. “Dessa forma, estamos preparados para manter nossas relações diplomáticas não apenas no contexto comercial, mas de saúde também, ao buscarmos referências chinesas no combate à disseminação do vírus e na cura de infectados por todo o território nacional.” 

Por fim, a FPA reforça que “não será tolerado nenhum prejuízo à esta relação bilateral e que estaremos prontos para fazer oposição a qualquer ameaça ao bom relacionamento entre o Brasil e a China, sobretudo numa perspectiva de reaquecimento econômico”. Alceu Moreira conclui: “O momento pede união global para superação de uma mazela sem nacionalidade que aflige toda a humanidade.”

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