‘Bancada do Rio’ no STJ vê atuação de Fux como fundamental para colocar Azulay na Corte

O desembargador federal Azulay foi o mais votado na manhã desta quarta-feira (11), quando o plenário do STJ definiu a lista quádrupla a ser enviada a Bolsonaro

Thais Arbex

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Ministros que integram a “bancada do Rio de Janeiro” no STJ (Superior Tribunal de Justiça) vêem a atuação do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Luiz Fux, como fundamental para que o presidente Jair Bolsonaro escolha o desembargador federal Messod Azulay Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), como um dos dois novos ministros da Corte.

Azulay foi o mais votado na manhã desta quarta-feira (11), quando o plenário do STJ definiu a lista quádrupla a ser enviada a Bolsonaro. Embora Fux apoiasse Aluisio Gonçalves —que ficou fora da lista—, ministros do STJ disseram à CNN, em caráter reservado, que a interlocução do presidente do Supremo com o Palácio do Planalto pode garantir que um integrante do TRF-2 ocupe uma das vagas.

Logo depois da definição do STJ, no entanto, ministros do Supremo receberam recados de que Bolsonaro não teria ficado satisfeito com a seleção. Segundo relatos feitos à CNN, o presidente esperava a lista com os nomes de Carlos Pires Brandão, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), apoiado pelo ministro de Nunes Marques; e de Cid Marconi Gurgel de Souza, Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), tido como candidato do presidente do STJ, ministro Humberto Martins.

Apesar de não ter ficado satisfeito, Bolsonaro tem que respeitar a seleção do STJ e escolher dois nomes dentre os quatro. A Constituição estabelece que os ministros do STJ devem ter origens diferentes, sendo: um terço de desembargadores federais; um terço de desembargadores de Justiça; e um terço de advogados e integrantes do Ministério Público.

Além de Azulay, também foram eleitos nesta quarta Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), próximo ao ministro Gilmar Mendes; Paulo Sérgio Domingues, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), que tem o apoio do ministro Dias Toffoli; e Fernando Quadros, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), a segunda instância da Lava Jato, ligado ao ministro Edson Fachin.

Embora a escolha de Bolsonaro ainda não esteja clara para os integrantes dos tribunais superiores, ministros ouvidos pela CNN apostam que pelo menos uma das vagas seria de Ney Bello. E, nesse cenário, Azulay Neto e Paulo Sérgio disputaram a segunda cadeira.

Enquanto os ministros do Rio apostam na atuação de Fux, dentro do STJ também há avaliação de que o presidente do Supremo pode até não se envolver e, neste cenário, o movimento do grupo que apoia Paulo Sérgio tende a ganhar mais força —uma vez que Toffoli, seu principal apoiador, mantém boa interlocução com o Planalto.

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