Bolsonaro fala de Moraes após inquérito das fake news: ‘A hora dele vai chegar’

Após se tornar investigado no inquérito das fake news, presidente chama relator de 'ditatorial' e 'arbitrário'

O presidente Jair Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro Foto: Andre Borges/NurPhoto via Getty Images

Paula Martini, da CNN, no Rio de Janeiro

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Em entrevista à Rádio 93 FM, do Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (5), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a atacar o Supremo Tribunal Federal (STF) e fez ameaças ao ministro Alexandre de Moraes um dia após ser incluído no inquérito das fake news. Na conversa fora da agenda oficial, Bolsonaro declarou que Moraes é “a mentira em pessoa” e afirmou que “a hora dele vai chegar”.

“Ele fez um absurdo agora, me colocou como réu naquele inquérito fake news dele. O inquérito tem nome de fake news, mas fake news é o próprio Alexandre de Moraes. Ele é a mentira em pessoa dentro do Supremo Tribunal Federal”, disse o presidente, que também chamou Moraes de ministro “ditatorial”.

“Muitos têm medo de criticar o Supremo porque não só ele (Barroso), como Alexandre de Moraes têm tomado medidas que fogem ao mínimo de razoabilidade. O Barroso e o Alexandre de Moraes acusam todo mundo de tudo. Bota como réu do seu inquérito sem qualquer base jurídica para fazer operações intimidatórias (…) E a hora dele vai chegar porque ele está jogando fora das quatro linhas da Constituição há muito tempo. Eu não pretendo sair das quatro linhas para questionar essas autoridades, mas acredito que o momento está chegando. Não dá para continuarmos com um ministro, arbitrário, ditatorial, que não respeita a Constituição”, declarou Bolsonaro.

Ontem o presidente já havia dito que Moraes atua fora das “quatro linhas da Constituição” e que seria “obrigado” a fazer o mesmo.

Nesta quinta, durante a entrevista, Jair Bolsonaro voltou a colocar em xeque a urna eletrônica e atacou novamente o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso. Barroso tem se colocado publicamente contra a implementação do voto impresso no Brasil.

“Por que o ministro Barroso joga todas as fichas contra o voto auditável, contra o voto impresso, contra o voto democrático? Obviamente que tem algum interesse que eu não consigo entender ou decifrar qual seja”, disse Bolsonaro.

Em outro momento, o presidente insinuou que Barroso faria parte de um plano para reeleger o ex-presidente Lula em 2022 com o uso da urna eletrônica.Jair Bolsonaro também aproveitou para sugerir uma nova manifestação na Avenida Paulista contra o sistema eletrônico de votação: “Tenho falado da possibilidade de nos reunirmos com o povo em São Paulo para a gente fazer um apelo a mais para o TSE e para o ministro Barroso (…) E quero repetir aqui: se o povo paulistano achar que eu devo comparecer à Paulista daqui dois ou três domingos, irei com o maior prazer. E seria mais um recado para aqueles que ousam estar à margem da nossa Constituição”.

O presidente disse que considera “vital” para a democracia a abertura de uma CPI da Urna Eletrônica, apesar de reconhecer que pode não conseguir assinaturas suficientes para abertura da comissão. A proposta de uma CPI para investigar o voto eletrônico foi anunciada, através das redes sociais, nessa quarta-feira (4), pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente.

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